02 setembro 2008

stand by

Por uns dias.
Até já.

01 setembro 2008

depois se vê...

Dois irmão, um pessimista, um optimista.
O pai deles, por ocasião do Natal, oferece uma bicicleta ao pessimista. Este, ao ver a prenda que lhe calhou, diz ao pai:
- Sabes pai... uma bicicleta pode ser um objecto com muitos problemas: os pneus têm furos, a corrente salta, pode causar quedas, com fracturas de membros, o esforço físico a que obriga pode causar danos físicos ataques cardíacos... quem sabe, pode inclusivamente causar a morte de quem a usa... Mas pai, obrigado, a sério que apreciei o teu gesto...
Na mesma ocasião, o pai oferece ao filho optimista um balde, cheio de bosta. Este, ao olhar para a prenda, salta de alegria e desata a correr, dirigindo-se ao exterior da casa:
- PAI, PAI, ONDE É QUE ESTÁ O CAVALO?

perfeito?

Absolutamente.

in my own shoes

Maybe not today, maybe not tomorrow, but soon and for the rest of my life.
In the meantime, I'll just keep tiptoeing proudly on my barefeet: it will pay.

in someone else's shoes - (provisional) epilogue

Fazia uma pergunta sobre o próximo passo.
Foi dado, com muitas incertezas, com ainda mais convicções, mas principalmente apoiado em princípios: e estes ajudaram a encontrar o passo seguinte ao tal próximo que procurava e que tenho a certeza de ter sido o certo. Do qual muito me orgulho.
Mesmo que ainda não saiba de que me serviu...

31 agosto 2008

stuck in this moment, along the stony pass



I am not afraid of anything in this world
There's nothing you can throw at me that I haven't already heard
I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company

I never thought you were a fool
But darling look at you
You gotta stand up straight
Carry your own weight
These tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And now you can't get out of it
Don't say that later will be better
Now you're stuck in a moment
And you can't get out of it

I will not forsake the colours that you bring
The nights you filled with fireworks, they left you with nothing
I am still enchanted by the light you brought to me
I listen through your ears, through your eyes I can see

And you are such a fool
To worry like you do
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now, my, oh my
...
I was unconscious, half asleep
The water is warm till you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all
...
And if the night runs over
And if the day won't last
And if our way should falter
Along the stony pass
It's just a moment
This time will pass

29 agosto 2008

the hardest part

Ana acordou com o despertador faltavam um quarto para as oito.
Soltou um pequeno gemido de preguiça, esticou os braços e olhou para o lado. Sorriu ao lembrar-se que aquela não era a cama dela: era daquele homem velho que a olhava com uns olhos tranquilos e sorridentes e lhe dizia com o olhar o quanto gostava de a ver ali. De a ter ali.
Ana estava a acordar de uma noite especial - muito especial: tinha sido a primeira noite dela. Olhou para ele uma vez mais, continuando sem entender por que razão estava ali com ele: com aquele homem. Não era ele com quem ela tinha sonhado, nem com alguém parecido, sequer, ele estava longe de ser o personagem perfeito do filme de amor que a Ana tinha realizado para a vida dela. No entanto, estava ali, radiante por estar com ele, que a conseguia fazer feliz; que a fazia voltar acreditar que é possível ser-se feliz. "Que raio... como é possível... este é o homem errado...".
Não se levantaram sem antes terem repetido os gestos que se tinham prolongado pela madrugada. Abraçaram-se uma vez mais, devagar, sussurrando palavras de amor ao ouvido um do outro, fazendo promessas que os dois sabiam que não podiam fazer; mas fizeram-nas, com a certeza de que todas as palavras ditas eram verdadeiras, sentidas, carregadas de paixão. Com a certeza absoluta de que iriam amar-se sempre. Mesmo que não para sempre.
- Passa das nove, Ana, temos que despachar-nos.
- Tomas tu duche primeiro? Deixas-me ficar aqui mais um minuto a fingir que durmo?
Saíram faltavam poucos minutos para as 10, hora a que a Ana tinha que chegar ao trabalho; havia pouco trânsito, não houve dificuldade em percorrer depressa aqueles poucos quilómetros. No carro, nem o som do rádio nem os óculos escuros da Ana o impediram de perceber que ela chorava. Ele alcançou-lhe o rosto com a mão, fazendo-lhe uma pequena mas sentida carícia, enquanto esboçava um sorriso de tristeza: era um momento que ele tinha antecipado, ele sabia que, mais cedo que tarde, a Ana teria que passar por aquele processo. "E eu também... essa é que é a merda toda".
O carro imobilizou-se na rua estreita onde ficava o escritório da Ana. Olharam-se durante uns instantes, que pareceram muito mais curtos que a realidade. Ele quebrou o silêncio:
- Voltas?
- Não sei se volto...
Ele repetiu o sorriso triste de há uns minutos:
- Sabes? Fico satisfeito por me dares essa resposta... é a única que eu sei ser verdadeira...
Beijaram-se apressadamente, para ninguém os ver.
- Ana?
- Sim...?
- Não te esqueças de mim...
- Como é que tu podes imaginar que eu alguma vez poderei esquecer-te?
Ele esperou que ela atravessasse a rua antes de arrancar. O rádio estava desligado, mas ele quase que jurava conseguir ouvir numa qualquer emissora o Chris Martin a cantar "the hardest part was letting go, not taking part..." Um arrepio atravessou-lhe o pescoço: era medo.
Um medo enorme de ter acabado de a perder.

28 agosto 2008

A publicação anterior não faz sentido algum. Mas não conseguia ficar calado...

guerra fria

Tinham sido lançados os últimos misseis. Desta vez, e ao contrário do que acontece na maioria dos conflitos, as ogivas continham apenas folhetos de propaganda, apelando à pacificação e ao encontrar de uma solução consensual para a questão.
Tratava-se de uma disputa territorial, com um desenlace imprevisível. Em confronto estavam duas forças com argumentos desiguais: uma, a força ocupante, tinha do seu lado um histórico de ocupação, com todas as vantagens que a aculturação proporciona, a obra feita e o património até ao momento gerado; a segunda força, que aqui aparecerá descrita como força invasora, aparecia como arauto da liberdade e dos direitos humanos, com a promessa de um regime social justo, tolerante, com as naturais consequências da obtenção da denominada felicidade comum.

O histórico da presença territorial, iniciado há pouco mais de meia dúzia de anos, tinha sido resultado de um acordo de cooperação, que incluía um conjunto de cedências territoriais; no entanto, este acordo, que como tantos outros, tinha cláusulas ambíguas, que impediam o encontrar de uma coabitação sã e pacífica entre o povo ocupante e os nativos do território. Este pacto teve na sua génese um conjunto de anteriores iniciativas bilaterais, cujos resultados positivos auguravam um amplo sucesso, sucesso esse que estava no momento claramente a ser questionado por ambas as partes.
Mais que um regime opressor e totalitarista, estava-se em presença de um regime autoritário, pouco transigente com os hábitos autóctones e com os desejos indígenas de afirmação cultural. Para além da saturação, natural em empresas desta natureza, era este o principal factor causador de instabilidade na região.
Consciente do clima de insatisfação e do conflito latente, a denominada força invasora equacionava a invasão do território, fortemente motivada pelas afinidades culturais e, por que não, étnicas. Estas afinidades, nada evidentes, tinham sido inicialmente detectadas ainda antes do acordo de cooperação estabelecido com actual força ocupante; à época, e apenas por total incapacidade da agora denominada de força invasora, não tinha sido possível sequer agendar conversações sérias com vista à obtenção de qualquer acordo.
Existiam questões prévias que eram urgentes resolver: a autodeterminação, a liberdade de escolha e a afirmação inequívoca da vontade popular. Estas questões, fundamentais quer na política interna quer na externa da denominada força invasora, relativamente às quais esta não faria qualquer tipo de cedência, teriam que estar impreterivelmente resolvidas antes do envio de qualquer missão oficial ao território disputado. Esta obstinação persistia mesmo depois das conclusões do relatório da comitiva diplomática enviada ao território e, principalmente, depois dos relatórios das mais recentes missões de espionagem: qualquer um destes garantia a necessidade absoluta da denúncia imediata de todo e qualquer acordo e de uma urgente alteração do regime.
Apesar das recomendações dos especialistas, o governo tinha decidido nunca tentar qualquer solução salomónica, materializada numa invasão, optando pela continuação da postura conservadora, determinando que nenhuma acção seria tomada antes de realização da discussão pública sobre a questão da manutenção do acordo vigente e do referendo consequente.
Os dados estavam lançados, o envio da propaganda tinha sido a acção derradeira. Nada mais restava que aguardar por notícias.

26 agosto 2008

bright colours

Remembering the world in...




... Red...

25 agosto 2008

obrigado

Correndo o risco de tornar a leitura das mais recentes publicações num anúncio radiofónico de uma sapataria (há certamente aí no meio dos 9 leitores quem sugira nomes de etiquetas adequadas, eu evidentemente não sou o gajo certo... começando pela escolha de sapatos...), insisto no assunto, pois repentinamente fez-se luz e consegui interpretar determinadas mensagens de aconselhamento ergonómico. Antes tarde que nunca...
Essa recente descoberta obriga-me naturalmente a uma vénia de agradecimento perante quem, ainda que de modo dissimulado e incógnito, não se poupou a esforços no sentido de tentar arquitectar um modo de meter algum senso nesta cabeça dura, desenhando imagens que tentam ilustrar o caminho óbvio; porém, a espessura craniana impede o estímulo mais eficaz do encéfalo, deste, para quem não é o óbvio que faz necessariamente sentido.
Importa referir que nenhum esforço é vão, pois apesar da falta de eficácia quanto ao objectivo primeiro, os resquícios de massa cinzenta que teimam em povoar o vácuo aparente conseguem, ainda assim, assimilar a parte mais relevante da informação recebida: que é aquela em que fica registada a prova de amizade e preocupação.
Eu sei, nem sequer sou eu o núcleo central dessa amizade e preocupação; e talvez até por isso o reconhecimento que fica seja ainda maior.
Pelo passado e pelo presente: bem hajas.

24 agosto 2008

i stand corrected

Sapatos que se prezam não têm tacões, têm saltos.