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17 julho 2008

contribuições e impostos II

ou networking

Existe um outro processo expedito que me esqueci de referir. Trata-se de um processo muito conhecido e utilizado no proverbial jardim à beira mar plantado, no qual por enorme lapso nem pensei: a cunha e o conhecimento.
Ao ser recordado dessa possibilidade, foram necessários um par de telefonemas e o envio de outros tantos mails, o irmão da cunhada da namorada, ele mesmo colaborador da mencionada instituição, procedeu ao levantamento do documento em falta.
E pronto: ao fim de quase 7 meses na ilegalidade, a conduzir sem documento que me habilitasse, eis que tenho no bolso a versão cartão de crédito que substitui o antigo documento cor de rosa. Sem burocracias, sem filas de espera e sem custos.


Nota: o índice é aqui utilizado numa perspectiva mais lata, sendo neste caso substituível por um outro que poderia facilmente denominar-se de sociedade da treta

26 junho 2008

contribuições e impostos

8 anos e 5 moradas mais tarde, decidi que era altura de informar a DGV (ou IMTT, como agora parece denominar-se) a residência definitiva.
Mal sabia eu.
Aproveitando o período de desemprego no final do Verão passado, em que o tempo sobrava até para essas coisas, dirigi-me à loja do cidadão. Num par de horas tratei de tudo e ainda deu tempo para renovar o passaporte. Fiquei logo a saber que "isto vai demorar, a emissão de cartas está atrasada, devem ser uns 5 meses" e recebi um carimbo no velho documento côr de rosa que o validava até Janeiro. O "há-de receber a carta em casa" deixou-me descansado quanto ao trabalho que o processo me ia dar, "os serviços que temos no País estão a evoluir", deduzi.
Mal sabia eu.
Sim, que mandavam a carta até mandavam, mas era por correio registado, descobri eu na abertura mensal da caixa de correio para limpar a publicidade indesejada. Telefone para que te quero, "a sua carta agora tem que ser levantada na antiga DGV, ali em Entrecampos, e tem que levar a guia", "qual guia, nunca me deram nenhuma?, mas deixe estar, eu vou lá, hão-de ma dar..."
Mal sabia eu.
Fui almoçar por aquela zona, mesa marcada para as doze e 30, meio-dia e 20 estou eu à porta a retirar um ticket para ganhar vez para ser atendido. Era o 166, a fila ia no 50, "se me despachar a almoçar chego aqui a tempo de ser atendido". Catorze e trinta, lá estava eu, o electrónico na parede informava que quem estava a ser atendido era... o 64. "Bem, ainda tenho mais uns assuntos para tratar, volto daqui a uma hora", e fui. Dezasseis horas: a evolução tinha sido alucinante, estava o 90 a ser atendido, 26 pessoas em hora e meia, a esmagadora maioria "vem aqui para carimbar as guias e prolongar o prazo de validade", dizia a vigilante que estava à porta, rapidamente calculei 12 minutos por carimbadela, dado estarem 2 guichets ao serviço.
Esta era a minha terceira tentativa para ir ao tal Instituto - chamado da Mobilidade... deve ser para dar um tom animado à designação; nas anteriores, mais de duzentos números de espera tinham-me desmotivado.

...
Os guichets de atendimento encontram-se divididos em 5 filas de espera: condutores - particulares, condutores - agências de documentação, veículos - particulares, veículos - agências de documentação e um outro, cujo nome não me interessou. Não precisei de recorrer à cadeira de estatística de há vinte e tal anos para concluir que as agências, mesmo tendo supostamente uma imensidão de processos a tratar, eram atendidas com muito maior celeridade, bastou olhar para o numerador no painel.

A morosidade nos serviços, como a que experimentei e vou continuar a experimentar, bem como a falta de qualidade no atendimento, estimulam o aparecimento de processos alternativos, no caso as agências de documentação, que permitem ao cidadão maior conforto na resolução de questões administrativas. Adepto de processos simples, compreendo que algumas questões apresentam um determinado grau de dificuldade de resolução e não seja fácil contornar determinados mecanismos, e aceito por isso pagar para que alguém me resolva alguns dos meus problemas e necessidades; porque acrescentam valor.
É - deve ser - preocupação do Estado a promoção do emprego; é ainda obrigação do cidadão ser contribuinte, pagando uma prestação de solidariedade que permita apoiar quem não tem - ou não pode ter - trabalho. Até aqui, sem problema.

O que não aceito é que sejam as instituições do Estado a causar deliberadamente entraves aos cidadãos, facilitando a vida aos tais agentes, fazendo com que estes agentes sobrevivam não à custa da mencionada e necessária morosidade processual, mas estejam, isso sim, a ser colocados na situação de subsidiados, acrescentanto um valor falso e artificial ao processo. Neste panorama, estamos a dar uma contribuição adicional para o desemprego, sendo obrigados a pagar serviços desnecessários, dos quais o Estado usufrui directamente, uma vez que são menos os cidadãos a usufruir de subsídio, e indirectamente, porque a estes (e às agências) são também cobrados impostos.

Mais uma vez, talvez o crime compense. Neste caso, se mudares de casa, não mudes de carta.
Should have known better.

06 dezembro 2007

americanos

Existe um sentimento negativo generalizado para com os americanos, que, aparentemente, se estende para fora da sociedade portuguesa, ultrapassando inclusivamente fronteiras europeias, verificando-se uma situação de um quase "todos contra eles".
Devo confessar que também eu, dentro de determinados limites, comungo desse sentimento, acho-os um povo que é, mais do que estúpido, estupidificado. E não me falem do presidente deles...

Mas devemos reflectir: de que americanos não gostamos nós? Dos 45 milhões de hispânicos? Dos 36 milhões de pretos ? Dos 12 milhões de asiáticos? Dos 30 milhões de californianos? Dos 9 milhões de nova-iorquinos? De quais deles não gostamos: de todos eles?
Eu tive a oportunidade de visitar, ainda que de forma breve, 8 dos estados que constituem aquele país - se bem que de modo distinto, nas primeiras vezes tive apenas um olhar de turista, da última vez em trabalho e a avaliar o modo de trabalhar daquela gente, tentando retirar ensinamentos das observações feitas.
Desta última vez, a minha opinião alterou-se.

Este povo heterogéneo é constituído, na maioria, por descendentes de imigrantes que procuraram uma vida melhor, que tentaram o sucesso - material, que seja, que quase sempre se confunde com o conceito de felicidade.
Daquilo que eu pude observar agora, nesta última ocasião, existe a oportunidade de sucesso, basta trabalhar para o obter: e aqueles tipos trabalham que nem uns loucos, sendo certamente por isso que são o país mais bem sucedido do mundo que conhecemos. Para exemplo, a produtividade que medi nos operários deles é pelo menos 5 vezes superior à medida nos operários lusitanos que desempenham funções similares - dado imensamente relevante para o sucesso, quer do negócio que depende desses mesmos operários, quer dos próprios operários, que vêem o rendimento e, eventualmente, o posto de trabalho comprometidos, num cenário de baixa produtividade.
Tudo isto não os isenta de serem um povo de comedores de hamburgueres e afins, de constituirem o povo mais obeso do mundo, nem de serem do mais ignorante sobre tudo o que se passa fora do país deles (do bairro deles, para ser mais exacto, mas não quero parecer exagerado). Mas adquiri um respeito particular pelo modo duro como vivem o dia-a-dia, pelo brio que demonstram na excelência do "fazer bem" e pela noção de serviço que têm, tentando sempre ir mais perto das necessidades daqueles a quem servem (cliente, entenda-se). Uma certeza fica deste lado: aqueles tipos não têm uma vida fácil, tornam-na mais fácil trabalhando muito. MUITO, mesmo.
Mas uma coisa não posso deixar passar em claro: ouvir opiniões cáusticas sobre este país que culminam com o aproveitamento das regalias e das possibilidades que este mesmo país, até então odiado e criticado, vai proporcionando. Não faço ideia se existe algum factor genético, talvez o facto de existir um pai marinheiro (eventualmente igualmente maldizente) sedeado temporariamente numa qualquer base naval americana esteja na origem desta predisposição; mas faz definitivamente parte daquelas coisas que me incomodam.
Eu, por exemplo, nunca iria a um concerto de uma determinada banda. Nem coberto de ouro.
Nem que seja por uma questão de coerência.

18 abril 2007

to whom it may concern

Temos bimbo.

12 abril 2007

eu não

Esclarecidos?

11 abril 2007

parolos

Na maioria dos casos:
Interessa saber se somos governados por um bacharel, licenciado, mestre, ou professor?
Não.
Interessa saber que resultados obteve na escola?
Não.
Desde que governe bem.
Os graus académicos apenas conferem um nível teórico de competências a quem os detém. A vida profissional revela que conferem apenas o nível teórico e académico das competências: é na prática que se revelam as competências efectivas, que têm muito de afectivo, de humano, de senso, sensibilidade e saber de experiência feito. Que não sei de onde vêm, mas não são as nossas escolas que os ministram e incutem nos alunos – independentemente do grau.
Que é irrelevante.
Quem procura julgar-se e quem julga de acordo com graus académicos não passa de um bimbo de vistas curtas.

No caso presente:
Interessa saber se somos governados por um bacharel, licenciado, mestre, ou professor?
Sim.
Interessa saber que resultados obteve na escola?
Sim.
Mesmo que governe bem.
Porque se alguém obteve um grau de forma imerecida e desleal, por mais irrelevante que o grau possa ser, há uma definição de carácter que nos interessa conhecer, há um princípio moral que foi corrompido, nem que tenha sido uma vez apenas.
Há um bimbo.
E essa matéria é de fundamental importância para que possamos aferir das competências, as tais humanas e de senso.

No caso presente:
Um bacharelato transformado em licenciatura após 4 cadeiras (sendo que a 5ª é inglês técnico), um diploma emitido a um domingo, um esquecimento por parte da escola em preencher uma lista obrigatória do Ministério da Educação e CVs inconsistentes publicados pela AR: tudo isso pode parecer suspeito.
Mas será que quem investiga estas coisas e que (aparentemente) tem acesso a documentos da dita universidade não se lembrou de procurar esclarecer de outro modo? Que tal pedir aos colegas de turma que testemunhem a presença nas aulas do senhor em questão? Não dá? Foi só a exame, nunca frequentou as aulas? Ok, tudo bem: vejam então os exames, que certamente estão arquivados também na escola, será inequívoco.

Esclareçam de vez e deixem-nos em paz com o assunto.E deixem-nos tirar as nossas conclusões.