06 dezembro 2007

americanos

Existe um sentimento negativo generalizado para com os americanos, que, aparentemente, se estende para fora da sociedade portuguesa, ultrapassando inclusivamente fronteiras europeias, verificando-se uma situação de um quase "todos contra eles".
Devo confessar que também eu, dentro de determinados limites, comungo desse sentimento, acho-os um povo que é, mais do que estúpido, estupidificado. E não me falem do presidente deles...

Mas devemos reflectir: de que americanos não gostamos nós? Dos 45 milhões de hispânicos? Dos 36 milhões de pretos ? Dos 12 milhões de asiáticos? Dos 30 milhões de californianos? Dos 9 milhões de nova-iorquinos? De quais deles não gostamos: de todos eles?
Eu tive a oportunidade de visitar, ainda que de forma breve, 8 dos estados que constituem aquele país - se bem que de modo distinto, nas primeiras vezes tive apenas um olhar de turista, da última vez em trabalho e a avaliar o modo de trabalhar daquela gente, tentando retirar ensinamentos das observações feitas.
Desta última vez, a minha opinião alterou-se.

Este povo heterogéneo é constituído, na maioria, por descendentes de imigrantes que procuraram uma vida melhor, que tentaram o sucesso - material, que seja, que quase sempre se confunde com o conceito de felicidade.
Daquilo que eu pude observar agora, nesta última ocasião, existe a oportunidade de sucesso, basta trabalhar para o obter: e aqueles tipos trabalham que nem uns loucos, sendo certamente por isso que são o país mais bem sucedido do mundo que conhecemos. Para exemplo, a produtividade que medi nos operários deles é pelo menos 5 vezes superior à medida nos operários lusitanos que desempenham funções similares - dado imensamente relevante para o sucesso, quer do negócio que depende desses mesmos operários, quer dos próprios operários, que vêem o rendimento e, eventualmente, o posto de trabalho comprometidos, num cenário de baixa produtividade.
Tudo isto não os isenta de serem um povo de comedores de hamburgueres e afins, de constituirem o povo mais obeso do mundo, nem de serem do mais ignorante sobre tudo o que se passa fora do país deles (do bairro deles, para ser mais exacto, mas não quero parecer exagerado). Mas adquiri um respeito particular pelo modo duro como vivem o dia-a-dia, pelo brio que demonstram na excelência do "fazer bem" e pela noção de serviço que têm, tentando sempre ir mais perto das necessidades daqueles a quem servem (cliente, entenda-se). Uma certeza fica deste lado: aqueles tipos não têm uma vida fácil, tornam-na mais fácil trabalhando muito. MUITO, mesmo.
Mas uma coisa não posso deixar passar em claro: ouvir opiniões cáusticas sobre este país que culminam com o aproveitamento das regalias e das possibilidades que este mesmo país, até então odiado e criticado, vai proporcionando. Não faço ideia se existe algum factor genético, talvez o facto de existir um pai marinheiro (eventualmente igualmente maldizente) sedeado temporariamente numa qualquer base naval americana esteja na origem desta predisposição; mas faz definitivamente parte daquelas coisas que me incomodam.
Eu, por exemplo, nunca iria a um concerto de uma determinada banda. Nem coberto de ouro.
Nem que seja por uma questão de coerência.

2 comentários:

ThunderDrum disse...

"...brio que demonstram na excelência do "fazer bem" e pela noção de serviço que têm, tentando sempre ir mais perto das necessidades daqueles a quem servem..."

Muitas vezes apenas fachada, mas não deixa de ser um objectivo que tentam atingir, muitas vezes "at all costs"...

Cai de Costas disse...

Ver para crer.
Nalguns casos, até ver e querer.
Acredita.
Até já.