24 agosto 2008

como quem se vê ao espelho p'la manhã

21 agosto 2008

referenciais 2


Esta moça, que nunca se atreverá a entrar pela minha janela, dá um significado totalmente novo à expressão "cair de costas".

sozinho em casa

Dada a diferença horária e a necessidade de cumprir horários, apenas tenho visto imagens ao vivo de Pequim em momentos de insónia. Ontem (hoje, mais correctamente), durante a tal insónia, a transmissão centrou-se no atletismo, numa modalidade que nunca entendi.

Certamente inventada por um grupo de mandriões que um dia se lembraram que também queriam ser atletas, suficiente e convenientemente distraídos para não entenderem que existe uma forma de locomoção mais natural, mais eficiente (quase o dobro da velocidade), que evita posturas físicas contra-natura e, mais que tudo, absolutamente ridículas (a imagem não me deixa mentir), a marcha é seguramente a modalidade que nunca conseguirei entender.

Com um surpreendentemente elevado número de praticantes, alguns com nomes insuspeitos e que dão origem a headlines bombásticos, é uma modalidade com regras apertadas e de muito difícil controlo, que, independentemente das frequentes desclassificações, tornam complicado o garantir da verdade desportiva. O estranho de tudo isto é que a não observância das regras da competição não tem origem na falta de desportivismo dos atletas, esta aparece descrita em qualquer compêndio de anatomia, que nem é necessário consultar: basta olhar para um praticante e ver que a natureza não nos fez assim.

Nem o ódio pela corrida, que eu, mais que a maioria, tão bem compreendo, pode justificar tais figuras em público.

sauregurkenzeit

Complicado postar nesta altura do ano...

20 agosto 2008

scare...


19 agosto 2008

in someone else's shoes

Só para simplificar e clarifcar uma questão.


Imaginemos...


Vamos um belo dia pela rua e vemos, ou imaginamos ver, o tal par, o da medida certa nuns pés estranhos. Admitamos que não lhes ficam bem, talvez tenham um ar desajeitado a andar neles, talvez até possamos dizer que aquela forma de andar falha totalmente no maximizar do potencial do calçado, que insiste em arrastar os calcanhares e desgasta aqueles tacões, naquele passo indolente e desinteressado.

E agora, qual o próximo passo...?



(os conselhos que o Tejo dá...)

17 agosto 2008

referenciais


Até pelo horário a que foram transmitidas a maioria das provas, apenas assisti a um conjunto reduzido de eventos dos Jogos. Este foi um dos que mais me impressionou, pela facilidade com que aquele bólide atravessou toda a recta da pista, deixando a uma distância enorme quem o tentava acompanhar - cinco deles ficaram abaixo da barreira dos 10 segundos.
Penso que não temos, na maioria das vezes, a noção da dimensão dos feitos destes atletas - ok, o Phelps ganhou uma infinidade de medalhas e a velocidade a que ele nadou fui suficiente para quebrar os recordes mundiais da maioria das provas em que participou, mas ainda assim não se me afigura simples entender o que significa nadar os 200 mariposa em 1:52.

Nas provas de velocidade pura (e no salto em comprimento) torna-se mais fácil para mim visualizar a magnitude do que significa fazer 100 m naquele tempo.
Fazendo contas e considerando que os metros de arranque são mais lentos, penso ser aceitável assumir que este tipo corre os segundos 50 m em 4 segundos; se assim for, cada metro depois dos 50 é ultrapassado em oito centésimos de segundo. Torna-se para mim fácil concluir da dimensão da proeza quando imagino que este tipo percorre a minha sala em 0.32 segundos...

perfeito para mim

Teimosamente, tentamos encontrar a perfeição. De modo talvez até inconsciente, temos uma imagem, construída ao longo de anos e função de todo um conjunto de factores (culturais, educacionais) que nos orienta num determinado sentido, levando-nos a procurar o resultado prático dessa imagem.
Um dia, não interessa ao final de quanto tempo, encontra-se a materialização dessa tal imagem de tudo o que ambicionávamos encontrar (ou algo muito próximo, de acordo com a definição, "que tem tudo o que lhe pertence ter"). Por um instante, e não interessa a dimensão desse instante, existe a sensação de plenitude e acredita-se atingido o objectivo.
No instante seguinte, essa imagem - não a materialização dela - era afinal um logro auto induzido, pois essa imagem foi fruto de influências externas, nem sempre isentas, baseadas em conceitos e experiências desadequadas e desactualizadas. A perfeição que se buscava - e que então se encontrava - não era a nossa, mas a maioritariamente resultante desses factores externos, e não suficientemente pensada, amadurecida, analisada. A perfeição absoluta, se quisermos, a pensada e não a instintiva, como provavelmente tem que ser - e, talvez por isso mesmo, uma perfeição imperfeita: na perspectiva de quem a procura.

Mas talvez até sejam necessários todos os erros de casting que se cometem ao longo de uma vida para que se consiga, finalmente (!), encontrar o tal personagem, perfeito para desempenhar aquele papel principal. Porque mesmo sendo verdade que não se possa procurar e escolher, é garantidamente verdade que um dia se encontra. Tem que se encontrar.
Porque o que é perfeito para mim, ainda que esteja naquilo que se é, na forma como se faz, na maneira como se diz, acaba por não estar em nada disso: está dentro de mim.

perfeito?

do Latim: perfectu

adjectivo:
- acabado;
- completo;
- que não tem defeito físico ou moral;
- que tem tudo o que lhe pertence ter;
- magistral;
- primoroso;


Gramática:
- diz-se do tempo verbal que indica a acção realizada em relação a certa época passada.



Easy does it...

perfect?

"The belief that perfection can be achieved affects the lives of countless numbers of people. Many are obsessed with achieving perfection to the point that it affects their physical and psychological well-being. (...) They seek the perfect mate, the perfect job, the perfect body, and are often unhappy in their quest. (...) These people experience disappointment and dissatisfaction and are often unable to enjoy the simple pleasures of life.
(...)
Perfection is meant to be an abstract ideal, it is a concept designed to spur us on to greater heights. The meaning of the word perfection is illustrated by the phrase "striving toward perfection." Few people who adopt seeking perfection as a value (as opposed to achieving perfection) expect to achieve it. Seeking perfection merely connotes that process of moving closer to an abstract ideal.
The concept of perfection in itself has no meaning in a concrete sense. It only takes on meaning when we ask the question "perfect for what?" In other words, it is a relative concept. Perfect weather for sailing is not the same as perfect weather for ice-skating; the perfect fishing rod when deep sea fishing for marlin is different from that used when lake fishing for trout.
(...)
Our society reinforces perfection. From childhood we learn that being "good" is very important. We learn that "good" means being quiet, orderly, clean, and disciplined, where being controlled is rewarded. (...) From early on we train our children to function in the world where being compulsive and perfect pays off.
Schools further reinforce these values. (...) Conformity is the goal in many schools and controlling the children takes a higher priority than learning and discovery. Perfect children are quiet children."

E.Dreyfus, Search of Perfection



Só para tomar balanço...

15 agosto 2008

time to wise up




You think, one drink
Will shrink you 'till you're underground

14 agosto 2008

perto de casa

Muito perto, mesmo.
A chave não cumpriu a missão e a fechadura não abriu, a escada foi o refúgio temporário. Eram 19 horas quando constatava a avaria e ao telefone diziam-me que "ele está aí pelas 20h30, mais ou menos". O facto de ter regressado das compras facilitou um improvisado jantar no carro, enquanto esperávamos pelas 21 e qualquer coisa, hora a que a mão de obra especializada acabava por chegar e iniciava um concerto de marteladas em dó menor - muito menor: afinal a porta era minha, não dele.
A chave não tinha qualquer responsabilidade, apurou-se depois de, hora e meia mais tarde e literalmente a ferros, desmontada a fechadura: era necessária substituição total, mas "isso só amanhã". A fechadura acabaria mesmo por ser trocada por um cheque generosamente caligrafado, com o qual concluí ter laços emocionais fortes, tal foi a dificuldade com que me separei dele.





Realmente, é necessário não ter mesmo assunto para descrever aqui este tipo de merdas, não é?