09 novembro 2010

no promises

08 novembro 2010

aquele abraço

Quando num dia como aquele, em que vamos fazer uma viagem destas e encetar uma etapa como esta, parece-me que resumir num sms “que tenhas um bom dia, faz boa viagem e que tudo te corra bem por lá” é motivo suficiente para desistir.
Foi o que fiz. Com maior sucesso do que desistir do tabaco.
Passaram-se meses até que rumei de volta para matar saudades daqueles de quem mais gosto. E, mesmo passados todos estes meses e apesar de todos esses meses depois da minha decisão, apesar da minha decisão, estive todos os dias tentado a restabelecer o contacto, a falar, a dizer “estou cá” para poder abraçar aqueles que, consta no BI, são os que me são mais próximos.
Uma vez “cá”, os dias passavam e eu hesitava, até perceber que, mais do que abraçar, o que eu queria era mesmo era que me abraçassem – mais uma vez, era só isso que eu queria. E percebi que não valia a pena, que esse abraço, por mais que eu peça, por mais que eu fuja, por mais que eu me lamente, por mais que eu sofra, aquele abraço não iria chegar. Não chegou há um ano, quando fui a correr quando me chamaram, quando tinham pressa para despachar a conversa; não chegou há dez anos, quando daquele processo destrutivo e doloroso, em que era mais importante preservar a imagem junto da empregada; não chegou ainda há mais tempo, porque não era preciso, porque “um homem não chora”.
Aquele abraço não iria chegar.
Foi o que fiz, desistir.
Porque não basta que eu queira, não basta que eu precise, não basta que eu peça: é preciso que do outro lado me queiram, é preciso que do outro lado entendam que eu preciso. Seria até bom que do outro lado precisassem, mas parece que não, estão bem assim, muito obrigado, são menos telefonemas que se fazem, basta um sms, basta esquecer, afinal há mais, daqueles que precisam, daqueles que fazem por precisar. Ou por um par de tostões.
Do outro lado, desistiram.

Por isso, foi o que fiz, até com maior sucesso do que com a desistência do tabaco.
E ao menos esse diz explicitamente no maço que faz mal. Não tem a obrigação de gostar de mim.

07 novembro 2010

coming through in waves

Now I've got that feeling once again, I can't explain you would not understand.
This is not how I am.

01 novembro 2010

close your eyes...

Quis ir ver o Negro, mas mesmo ficando perto não lhe cheguei a ver a cor - dentro do longe onde fui era demasiado longe para o tempo que tinha.
Mas sei que o céu era de um azul forte e que as árvores brancas, iluminadas por um Sol radioso, iam deixando cair pedaços de açucar; que havia uma fonte de água quente a contrastar com a atmosfera gelada; que havia gelo no pavimento das ruas, mas havia uma chama eterna a manter o calor vivo - ou, em estrangeiro, an eternal flame.
Continuo sem saber bem do que se trata, se é ou não uma história de encantar: sei que estou encantado com ela.
E agora o verde espera por mim, solitário até que o azul me reencontre.  

14 outubro 2010

and at the end of the day?

13 outubro 2010

if you don't like something, change it; if you can't change it, change your attitude

Já há que tempos que não lhe dava atenção. Conversámos um pouco, deu para perceber que está na mesma, não mudou praticamente nada...
Disse-lhe que devia mudar; ou, pelo menos, tentar mudar, que já muitas vezes experimentou deste modo e já devia saber que não funciona, que não há mais esperança naquele modo; devia mudar, até porque os anos passam e as segundas oportunidades, principalmente quando tentadas pela quadragésima oitava vez, um dia acabam e podem não voltar - mesmo que olhe para trás e tenha uma tremenda dificuldade em aceitar que estivesse errado e que não tenha procedido bem.
Olhei-o fixamente, como que em desafio, quis ver o que ia por detrás daquela cara medonha onde se esconde, dentro daqueles olhos zangados, que já sei que nestes momentos não me olham nos meus. Aproveitei aquele momento em que me olharam a direito e perguntei-lhe; então, os olhos acenderam-se por um instante e respondeu-me:
"Eu sei, tenho que tentar mudar. Estou farto de perder e desta vez quero mesmo ganhar".

11 outubro 2010

Most of the things worth doing in the world
had been declared impossible before they were done.



Louis Dembitz Brandeis 1856-1941

10 outubro 2010

efemérides

You see me waiting for you
on a corner of the street.

07 outubro 2010

a parte de trás das árvores

Lembro-me de, numa das distantes aulas de Ciências da Natureza da Instrução Primária, naquilo que agora deve constituir qualquer coisa como o Estudo do Meio no Primeiro Ciclo, ter aprendido a determinar o Norte através da observação do tronco das árvores - embora não me tivessem então explicado que tal técnica funciona apenas no hemisfério norte e acima do paralelo 24. Fora este conhecimento, totalmente inútil, diga-se, já que nunca determinei o Norte daquele modo, não me recordo de ter alguma vez aprendido qualquer outra técnica de orientação que inclua árvores, pelo que a expressão "vou ali atrás daquela árvore" sempre me causou enorme estranheza e uma curiosidade proporcional: como determinar com exactidão a parte de trás - ou da frente, ou um dos lados, para o efeito - de uma qualquer espécie arbórea.
Devo admitir que, em tempos idos e na falta de melhor, chequei a dedicar algum tempo ao tema e, embora sem nunca ter defendido tal tese, considerei enverdar pela observação da abordagem de um canídeo, já que, em hipótese, um cão não tem vergonha, pelo que não teria qualquer tipo de hesitação em utilizar a parte da frente da árvore. No entanto, sendo os nativos da cidade da minha mais recente morada igualmente desprovidos de vergonha (não que tenham mais traços comuns, a comparação não tem qualquer sentido depreciativo), larguei definitivamente quer a teoria, quer a vontade de a testar: a teoria, pois a ausência do embaraço faz com que usem indistintamente qualquer quadrante da planta; a vontade de a testar, dado o elevado risco de náusea pelo simples facto de passar a menos de dois metros de qualquer árvore nesta terra.
Não obstante não conseguir obter uma resposta à questão, sei que procurei já e com sucesso as traseiras de diversas espécies vegetais de grande porte: para me esconder, nos jogos de criança, para me defender do calor, em momentos de Sol intenso, para me proteger de carros em potencial despiste, ao assistir a provas desportivas, para me resguardar de olhares indesejados, ao tentar um beijo, ou simplesmente para lá ir, em momentos de aperto; não obstante o aparente sucesso na procura, a ausência de resposta à minha questão continua a produzir alguma perturbação - mental, ao que parece.

79 horas sem fumar... devo estar na fase do delírio...

06 outubro 2010

51 horas

Nada fácil...

05 outubro 2010

30 horas

Não está a correr mal...

second thoughts

No meio do exílio a que me sujeito, claro que tenho muitas e boas razões para querer voltar a casa.
E (pelo menos) uma para não querer.