16 julho 2008

protesto


Mais cara que os 400 e muitos euros que vou ter que desembolsar para ver reparados os danos indirectos do "furto no interior de viatura" do qual fui vítima na madrugada do passado sábado é a sensação de intranquilidade que neste momento me persegue todas as noites, em que uma e outra vez penso em ir à janela de casa ver se está tudo em ordem, se está tudo na mesma, intacto como eu deixei.
Tenho a certeza que o velho telemóvel com mais de sete anos e os óculos escuros que neste momento já não estão na minha posse não fazem feliz seja quem for que agora os usa, autor ou receptador do furto; tenho também a certeza de que ninguém irá alguma vez enriquecer à conta daquilo que alguém se esqueceu de retirar do interior de uma viatura; mas a verdade é que estes episódios, que acontecem quase sempre aos outros, continuam a acontecer e um dia batem-nos à porta. E deixam marcas.
Por mais anéis que perca (e foram já muitos), os dedos permanecem, e vidros, telefone e óculos postos à parte, a sensação que perdura e que incomoda, por mais que os dedos agora se desgastem a aspirar, ou lavar, é que alguém invadiu um local que considero meu, íntimo, privado, onde só devia entrar quem eu convido. E não é boa, a sensação.

3 comentários:

pensamentosametro disse...

Pois não é quase como uma sensação de violação física já me calharam alguns episódios desse, o último à pouco tempo que o GPS lhes faça jeito. Mas o pior é a atitude displicente da polícia, o encolher de ombros, o não há nada a fazer...


Bjos


Tita

Thunderlady disse...

Sei muito bem a sensação. Aconteceu-me muitas vezes.

Não há nada que limpe a presença de quem aí esteve.

Cai de Costas disse...

S&B, nã há mesmo nada, só talvez o tempo faça esquecer.

Tita, neste caso a intervenção policial foi muito positiva: foram eles quem me bateu à porta a informar do roubo e quem me informou dos passos a seguir; foi chamado o "CSI" local, que recolheu impressões digitais e fizeram todo o levantamento da situação.
E até me deixaram parquear o carro no parque deles enquanto esteve de vidro partido "pelo tempo que o Sr. quiser".