19 fevereiro 2010

it´s amazing how much you can see in the dark‏

Sem que sejam meras coincidências, as que digo e as que faço nem sempre são coincidentes.
Por mais que eu aconselhe que não deixem que as de um qualquer asinino lhes chegue, dei por mim a trocar algum do meu escasso e precioso tempo de descanso pela análise de um conjunto de frases ouvidas de bocas terceiras – ou quartas. Mesmo retirando-lhes os pontos que lhes foram acrescentados, reconheço que o intuito do autor das palavras foi cumprido, pois chegaram efectiva e finalmente ao destino e tiveram pelo menos algum do efeito desejado. Digo algum, pois não tão velho quanto isso mas ainda assim muar por escolha, já não são só duas as cantigas que me embalam: antes pelo contrário, despertam-me para uma inútil meditação, que resulta numa quase útil tomada de consciência de determinados porquês – sobre o que serve, sobre quem se serve e sobre quem quer servir.
A verdade? Sei que não existe e sei que nunca a saberei, por mais que ma contem. Por tudo isto, sem qualquer desprezo, ou menosprezo sequer, prefiro seguir o meu próprio conselho e manter-me no escuro – até porque essa tonalidade é sempre bem mais honesta que as promessas cor-de-rosa vindas lá de fora.

31 dezembro 2009

does it get any worse?

Citar Isabel II seria apropriado: este ano esteve próximo de ser horribilis. Se é que não foi mesmo.
Depois do impaciente alemão ter determinado o internamento do paciente, agora efectivamente mais paciente por (ainda) menos consciente, depois das confusões iniciadas pela ausência de valores de quem se apega aos valores, depois dos processos iniciados sobre os primeiros valores, depois de saber que o Natal seria diferente de todos os anteriores, pela ausência e pelas discordâncias, há alguém que na madrugada de 25 decide que quarenta e um anos chegam e deixa tudo suspenso na sala de casa dele - e uma tristeza e incompreensão que passam para cá das fronteiras familiares.
Mas não chegava e o ano velho não acabou suficientemente depressa para quem lutava para sobreviver a uma cirurgia mal sucedida, terminando com um mês de angústia e dando início à revolta contra a injustiça de ver que quem quer ir, pode ir, mas que quem quer ficar nem sempre consegue.
É melhor não celebrar: ainda faltam doze horas.

28 novembro 2009

when the shit hits the fan

... ou será que são luzes que começam a acender lá ao fundo?

29 outubro 2009

suporífero

Hoje, por coisas minhas, faço novamente minhas palavras que não o são. E outras, que até foram:
"O passar dos anos e a sabedoria (?) que deles advém amoleceu alguns destes ímpetos. Ou antes, terá dado a capacidade para permitir melhor distinguir os desafios essenciais dos outros, consigo agora voltar costas a tudo o que não me traz (ou a outrem) qualquer benefício. Já não desafio pelo prazer de desafiar, pelo simples prazer de demonstrar que estou mais certo: nem sempre vale a pena." E este é dos essenciais: mesmo da essência.
E não, não espero que me entendam - nem sequer preciso que me entendam.

27 outubro 2009

chariño

Tens sido quem me apoia, quem me ajuda, quem faz de mim quem neste momento sou; tens sido quem me dá, quem me é, quem me deseja. Tens sido quem eu desejo - és quem eu desejo. Também para ti, obrigado por estares ao meu lado nestes tempos complicados, nestes tempos conturbados, que me fazem fazer aquilo que eu nunca julguei poder fazer, mas que fazem ser aquilo que eu sempre pensei ser.

outros ascendentes

São aqueles que nos ensinam e determinam o que não seremos, quem, afinal, somos, acabamos por ser, um dia no futuro. Num presente que nunca julgámos possível, num presente daqueles que só aos outros poderia acontecer.
Tenho orgulho em não ser um filho da mãe, mas em ser indubitavelmente um filho do Pai.
See you in court.

ascendentes

São aqueles que nos ensinam e determinam que seremos, quem, afinal, somos, acabamos por ser, um dia no futuro. No presente.
Tenho orgulho em não ser um filho da mãe, mas em ser indubitavelmente um filho do Pai.
Obrigado!

13 outubro 2009

dentro de casa

Nunca entendi as motivações de quem, a partir de determinado momento, confunde valores com valores, colocando em primeiro lugar aqueles que trazem um aparente maior conforto; e também não entendo que alguém entenda que o conforto do conforto possa alguma vez confortar mais que a paz de espírito que nos permite dormir descansados todas as noites.
Contam-nos histórias, diferentes versões de uma mesma realidade que aparentemente não tem explicação, que ouvimos com um sorriso distante: acontece sempre aos outros. Até porque aqueles que estão perto de nós seriam incapazes de tais acções, afinal sabemos bem quem são, foi uma vida inteira de convívio e sempre estiveram do nosso lado quando, connosco, ouviram as mesmas tais histórias e as condenaram mais amiúde e com maior veemência do que aquela indicada pelo nosso distante sorriso. Até ao dia.
Até ao dia em que verificamos que é mesmo verdade que o conforto do conforto conforta mais que dormir à noite, que verificamos que continuam mesmo a dormir à noite, quando nem querem saber que é deste lado, afinal, que não se dorme a essa hora. A esta hora.
Afinal, se pensarmos bem, sempre soubemos quem são, apenas nunca nos questionámos a esse respeito, nunca colocámos as personagens no cenário das diferentes versões da tal realidade que nos contam: talvez encaixassem bem, estivessemos atentos aos exemplos passados. Talvez na perfeição.
Ou talvez seja eu que sou um anormal.


A outro propósito, mas agora mesmo a propósito, tinha ali este post guardado como draft. Nada como colocá-lo "cá fora" agora.

08 setembro 2009

Oscar said:

It is better to have a permanent income than to be fascinating.


Por mais que aprecie as frases deste notável autor, tal como as repetidas vezes que o cito o demonstram, e ainda que entendendo a intenção das palavras que agora transcrevo, não posso desta vez estar minimamente de acordo com ele. Primeiro, porque essa coisa de permanent income é coisa que não existe, por mais eterno que possa parecer, e porque nunca me senti mais fascinado por uma carteira (ou conta bancária, ou seja o que for) que pelo(a) proprietário(a) dela.

07 setembro 2009

a cor do crime

Seis e meia da manhã.
- Sim?
- Bom dia. Estou a falar com o sr. fulano de tal?
- Sim...
- Fala da esquadra. O sr. é o proprietário da moto com a matrícula 12-34-56?
- Sim...
- Sabia que a moto foi roubada?
- Não...
- Mas foi. Importa-se de vir até aqui apresentar queixa?
...
Seriam três da manhã quando um bando de quatro adolescentes entre os 16 e os 17 anos rondaram a porta da minha casa, conduzido uma carrinha roubada. Não sei se de modo premeditado, se impulso do momento, os quatro pegaram na moto e colocaram-na na traseira da carrinha. Por sorte minha, os polícias do carro patrulha suspeitaram da "cor laranja do objecto de grandes dimensões que estava dentro do carro", - embora na minha perspectiva tenha sido a cor do condutor a despertar a atenção dos agentes da autoridade - tendo perseguido a viatura que apenas conseguiram fazer parar depois de vários disparos.
Feita a queixa, tive que esperar que os CSI locais retirassem todos os elementos para poder levantar uma moto coberta da pó branco, que auxiliou a retirar impressões digitais, danificada pela condução apressada e certamente cega - ao que consta, a carrinha despistou-se ao quarto disparo, com os pneus vazios.
Pela segunda vez no espaço de semanas, depois de terem apreendido um larápio de 15 anos que roubou o telemóvel ao meu filho, as forças policiais revelaram-se eficazes no combate ao crime. Mas mesmo com uma eficácia a 100% (no meu caso), vou reforçar as trancas das minhas portas, que a taxa de criminalidade não irá baixar e a sorte não dura para sempre.

06 setembro 2009

long time, no see

Em Agosto, para replicar aquilo que se faz em época de crise, decidi perder-me de novo with my two favourite allies. Desta vez a opção da road trip foi colocada de lado, substituída por um mandatório e bem mais evoluído meio de transporte, que, desta vez e tal como estas palavras documentam, bem sucedido mesmo entre intol e tasil. Talvez não para mim, com as minhas razões a ficarem para trás, mas para os favourites terão sido as melhores férias da vida yet: obrigado a quem tem culpa, lá por terras de Santa Cruz.

24 julho 2009

concertos

Podia ter sido melhor.



Esperava talvez que fosse diferente, eram expectativas que nem sei definir. De qualquer modo, gostei de estar lá sentado, a cadeira até abanou ao ritmo de alguns dos temas.
E gostei da moldura humana.

Mas também podia ter sido bem pior...