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21 março 2013

primitivo

Não sei escolher as mulheres da minha vida.
Deste a primeira.
Deve haver quem consiga analisar o factor que está na génese desta minha deficiente capacidade social, que tem vindo a provocar frustração, dor, lágrimas e outras manifestações que mantenho comigo: até hoje, eu não consegui. E deixou de me caber nos dedos a quantidade de desaires. Exceptuando a que ainda não, todas as escolhas erraram, todas as geografias falharam, todas idades, tezes e tonalidades – mesmo quando as escolhas não o foram.
E nem mesmo a jusante consigo ser ter sucesso na manutenção de uma relação tranquila e estável com quem deveria ser, se nunca simples, pelo menos mais fácil.
Sei que não sei.
Desde a primeira.
Mas não me conformo com esta espécie de sina e continuo a tentar, a querer saber. Para alcançar este saber, terei antes que chegar ao outro, ao saber de onde me vem esta inaptidão que não me permite acertar.
Desde a primeira.
Ou será por causa da primeira?
Mas essa, quem escolheu não fui eu.

19 março 2013


Aquele olhar duro e severo intimidava-me.
Aquele olhar, que talvez passados todos estes anos eu entenda sem efectivamente compreender, manteve-me distante, receoso de falar, de pensar, de decidir. Até de ser…
Já num tempo para cá do tempo eu que eu deixara de crescer, aquele olhar amoleceu e deixou que a distância encurtasse. Consegui então olhar para aquele olhar de frente e de modo diferente, mais próximo e condescendente, mais respeitoso que autoritário, mais orgulhoso que exigente. Ainda que sempre severo.
Tenho saudades daquele olhar duro e severo; mas não menos daquele olhar por fim carinhoso, quase infantil e assustado com que acabou por se retirar.

12 novembro 2012

Acta, res, facta... non verba.
Alibi, age quod agis; eris quod sum.

17 outubro 2012

para sempre

São poucas, mas há pessoas que são para sempre, no matter what.
No meu caso, são pelo menos duas.
Hoje, falei com uma delas, já não lhe ouvia a voz nem via a cara há semanas.
Sem que no momento me desse para pensar nestas coisas, sei que senti algo especial, particular, que muito dificilmente se descreve e mais dificilmente ainda se explica. Por isso, nem vale a pena tentar explicar, basta sentir e guardar cá dentro o momento e essa realidade, com a certeza de que vai ser para sempre, vai ser sempre no matter what.
Sentido e guardado o momento de hoje, não consegui deixar de o relacionar e comparar com outros momentos e situções bem diferentes, protagonizados por mim e por quem está na minha posição. E, mais uma vez, não consigo entender como é que se sente, como é que se permite, como é que se consegue. E como é que não se sente.
Talvez daquele lado também haja quem seja para sempre, no matter what.
Naquele caso, devem ser no máximo duas. E talvez não haja mais espaço para amar.

27 agosto 2012

i hope this is you

You know I knew it was you.
 
 
With every day, and from both sides of my intelligence, the moral and the intellectual, I thus drew steadily nearer to the truth, by whose partial discovery I have been doomed to such a dreadful shipwreck: that man is not truly one, but truly two. (*)

This could not be me…
 
But after the storm came the calm and with the still came again the will.
 
I know this is you. And I hope this is now me.

 
 
 
(*) R.L Stevenson
 

28 outubro 2011

Não sem ajuda, mas tamed: merci glupi.

25 outubro 2011

the monster within

Não, não é esse que é conhecido: é outro, que está bem lá dentro.
Pensei que o conhecia, mas enganei-me. É muito maior e bem mais influente que alguma vez pude pensar.
Não sei quando nasceu mas tem muitos anos e existia muito antes de eu ter dele consciência – ou talvez nessa altura o confundisse com outra coisa qualquer, sem nome nem definição, apenas sensação. Com o tempo, passei a conseguir identificá-lo e, nem sempre sem ajuda, a controlá-lo, deixando-o mais ou menos silencioso, mais ou menos ausente, por vezes com tanta eficácia que quase esqueço que existe. Não sei como se alimenta, como cresce, e embora já tivesse anteriormente suspeitado, estou agora seguro que também as distâncias o alentam e avivam, tornando-o ininterrupto, presente numa continuidade desconcertante. E agora, depois das distâncias e mesmo quando elas se encurtam, praticamente sem ajuda que muitas das ajudas desajudam, tenho que o carregar sabendo que de vez em quando tenho que descarregar por causa dele, levando à frente tudo o que está à frente – e, geralmente, tudo o que está nessa frente é tudo o que está mais perto; e, geralmente, tudo o que está mais perto está mais perto pelas melhores razões, o que faz com que, pelas piores razões leve à frente tudo o que está mais perto.
Pensei que o conhecia, mas enganei-me. E, no processo, talvez ande a enganar os que vão à frente por estarem mais perto. Que eu não quero que vão.
E, aqui junto ao Índico verde, chega de água com sal a sair do azul do Negro.

19 março 2011

dia do Pai

Não sei se era de oiro, mas seguramente que era bem melhor que a média. Ao que consta (não pela boca dele), por ter sido essa a origem e pelo facto de não ter ninguém com quem compartilhar e concorrer nas preferências, teve o que quis, quando quis.
Não obstante, não foi nada disso que o moldou: muito pelo contrário, tornou-se numa pessoa espartana, pela necessidade de salvaguardar futuro – principalmente o dos outros, comprometendo sempre nesse processo o conforto do presente – principalmente o dele.
Para além disso, tinha uma obsessiva preocupação com o dever: os compromissos tinham que ser cumpridos até ao fim, custasse o que custasse, mesmo aqueles que tivessem origem nos maiores disparates e erros.
Era a natureza dele.

Conheci-lhe um único deslize; mas coerente com o que sempre foi, nem desse erro alguma vez usufruiu, serviu apenas para os outros, mais para uns que para outros, é verdade, mas nunca para ele. E acabou por pagar caro esse erro, pois era frequentemente usado contra ele, com a chantagem que lhe era movida de perto, através da ameaça da denúncia que lhe iria manchar uma reputação de outro modo imaculada.
Por isso e com o passar dos anos, foi suavizando o discurso, foi amolecendo na acção e na exigência – para com os outros, manteve sempre a mesma exigência para com ele mesmo. Mesmo deixando de exteriorizar, nunca deixou de sentir essa preocupação, nunca deixou, lá dentro, de ser quem era.
Na minha ideia, o facto de interiorizar demasiado o que sentia, o ser obrigado pela chantagem a viver contra alguns dos seus princípios acabou por o corroer e descaracterizar, devagar mas definitivamente, e ter-lhe-á em última análise determinado o destino.

A custo, nalguns momentos a muito custo, aprendi com aquele carácter, fez-me parte do que sou, igual, nalgumas coisas, totalmente diverso, em muitas outras. Mas por causa dele sou.

Ficou a escassos 5 dias de completar mais um aniversário, que era hoje.
Fazia anos no dia do Pai. E era meu Pai.



18 fevereiro 2011

exagero...

Where there is no exaggeration there is no love

and where there is no love there is no understanding.




Oscar Wilde

13 outubro 2010

if you don't like something, change it; if you can't change it, change your attitude

Já há que tempos que não lhe dava atenção. Conversámos um pouco, deu para perceber que está na mesma, não mudou praticamente nada...
Disse-lhe que devia mudar; ou, pelo menos, tentar mudar, que já muitas vezes experimentou deste modo e já devia saber que não funciona, que não há mais esperança naquele modo; devia mudar, até porque os anos passam e as segundas oportunidades, principalmente quando tentadas pela quadragésima oitava vez, um dia acabam e podem não voltar - mesmo que olhe para trás e tenha uma tremenda dificuldade em aceitar que estivesse errado e que não tenha procedido bem.
Olhei-o fixamente, como que em desafio, quis ver o que ia por detrás daquela cara medonha onde se esconde, dentro daqueles olhos zangados, que já sei que nestes momentos não me olham nos meus. Aproveitei aquele momento em que me olharam a direito e perguntei-lhe; então, os olhos acenderam-se por um instante e respondeu-me:
"Eu sei, tenho que tentar mudar. Estou farto de perder e desta vez quero mesmo ganhar".

28 setembro 2010

they just made me worse


24 agosto 2010

...

Sim, faz falta, agora ainda mais: fundamental, como a luz, com ou sem a cidade.
E o que provavelmente me estava na cabeça veio cá para fora, soltou-se, era altura certa, true colours, serviu do que serviu porque os receios do receio e da ausência perduram, mesmo quando é só meu.
E o azul do Negro cada vez mais perto.

19 agosto 2010

...

Faz quase tanta falta quanto a luz, tenho que estar perto dela. Ou provavelmente não faz falta alguma, é apenas algo que me está na cabeça, talvez pela magia dos tons que me encantam, ou pelo encantamento das ondas que me embalam e pela carícia das brisas que me sussurram.
As dúvidas persistem e a falta de certeza incomoda e assusta, não por não lhe saber reconhecer beleza na cor nem por não lhe apreciar a ternura do embalo, antes pelo receio da ausência e da carência. E principalmente porque tem que ser tudo só e sempre meu, sou egoísta também aqui.
O Atlântico é azul, o Pacífico também; o Índico parece verde e o Mediterrâneo púrpura.
Ao Negro estou quase para lhe ver a cor, embora aposte não que será outra que não o azul.

11 agosto 2010

awakenings

Daquela última vez que nos vimos, sorriu quando olhou para mim. Lembra-se?
Gostei de lhe ver aquele sorriso, foi importante, significou imenso. Sei que a minha visita durou talvez uns cinco segundos, já que logo de seguida fui substituído por aquela irreal (para nós) realidade obscura a que se dedica na maior parte do dia - sabe, nós ficamos um bocado chateados por desaparecer assim, sem mais, deixando-nos aqui, deste lado, sem saber o que lhe dizer, o que fazer, sem saber o que lhe faz falta... sem que lhe consigamos dizer que nos faz falta.
Porque faz: basta olhar à nossa volta. Porque não foi sequer preciso que o pilar desaparecesse, bastou ter começado a fraquejar e logo alguém decidiu arrumá-lo, escondê-lo, esquecê-lo.
Sabe? Não sabe, pois não?
E ainda bem que nem sabe - eu também preferiria não saber.

11 julho 2010

respirar

Agora, daqui e ao longe, sei melhor de coisas que, antes e de perto, não consegui ver tão bem.
Sei que foi; que teve um início, um meio e um fim; sei que não me arrependo do início e que o fim foi demasiado longo - já quase nem me lembro do meio, de tão longo e pesado que foi o fim. E, por uma vez e ao contrário do habitual, não há culpa deste lado, este lado desta vez fez tudo bem, by the book, sem erros, sem atropelos, sem confusões; deste lado desta vez não se começou nada sem ter acabado tudo, não se ameaçou nada antes de terminar de vez.
Agora, não por ser daqui, mas porque até mesmo aqui me fizeram ver, sei onde está a culpa: onde começou, até onde foi e onde ficou.
Não que isso me traga satisfação alguma ou que me sirva de alguma coisa - a não ser saber que sei olhar com mais pragmatismo para o mundo.

01 julho 2010

46

Deve ser mais ou menos a esta hora que vou para outro lado.
Deste lado deixaram de existir algumas das coisas que me são necessárias e também porque continuam a existir outras com as quais não está a ser fácil conviver. Deixo para trás muito, deixo mesmo o mais importante - mas deixo com a certeza de que já não faço a falta que um dia fiz e com a convicção de que a minha ida vai também permitir a quem deixo ter mais e melhores oportunidades.
E a mim mesmo. Nem que seja porque a felicidade não tem lugar certo.

30 maio 2010

skimming

Parece que é aos domingos.

04 maio 2010

skimming

Domingo liguei.
Era uma obrigação que tinha para cumprir e, afinal, também me compete contribuir para o apaziguamento e tentar a reaproximação.
E liguei. E atendeu-me um gravador, ao qual confiei aliviado a minha mensagem.
Passaram talvez duas horas e a chamada foi devolvida, o cordial agradecimento pela intenção, a intenção cordial de prosseguir com a reaproximação, a sugestão de um novo encontro a matar as… saudades que o tempo cravou nas respectivas almas. Supostamente.
E pronto, obrigação cumprida, sugestão aceite, tinha sido um bom passo no sentido da tal reaproximação que também a mim competia – nem sei bem porquê, afinal não fui eu quem promoveu inicialmente o afastamento, limitei-me a reagir pacifica e quase passivamente. Mas o caminho estava traçado e agora poderíamos avançar, com cuidado, é certo, mas estava aberto o caminho. Supostamente.
Durou menos de 24 horas.
Demorei menos que um dia a descobrir que, nas minhas costas, tudo tinha continuado na mesma, no mesmo tom de desrespeito, na mesma senda de desafio; demorei apenas horas a saber que o desafio e a tentativa de usurpação continuam, com os aliados de ocasião e de conveniência que se lhe juntaram. Supostamente.
Sem surpresas: eu já tinha podido ver as costas de outros.
Afinal, a surpresa tinha sido mesmo domingueira, com as sugestões e as demonstrações de intenção a servirem de cortina de fumo, respostas que seguramente se procuram para poderem ser acumuladas para memória futura, em jeito de construção de capital de queixa. Afinal, normal era mesmo o que nem sequer volvidas vinte horas viria a descobrir – ou melhor, a poder confirmar: o estilo dissimulado, a necessidade de demonstração de poder, vinda de quem nem sequer a capacidade moral detém, quanto mais a formal.
E agora? Agora, nada de novo - ou antes, talvez algo de novo, já que procuram conquistar Roma: fingir fazer como os romanos.
E ficar com certeza que só se estragou uma família.

23 abril 2010

o átomo a mais que se animou

Sei que não tens culpa – ou antes, sei que alguma hás-de ter, todos temos pecado dentro de nós que deixamos sair a espaços.
Sei que te tenho culpado por coisas que são humanas, por actos banais, por gestos e palavras que tens e tens muito bem. E sei que tenho olhado pouco para mim, que sou também humano nos mesmos actos e nos meus erros, que digo palavras e faço gestos, se não iguais, pelo menos parecidos com os teus, mesmo que diferentes dos teus.
Sei que te tenho exigido coisas que talvez nem sejam exigíveis, afinal somos humanos e humano é errar e ficar aquém da perfeição; e que tenho tido a presunção, a errada presunção, de que erro menos e que estou mais perto dessa perfeição, digo-te que te quero mais igual a mim nessa pretensa perfeição. Sim, eu, que me farto de te dizer que não queiras que eu seja mais igual a ti, porque eu sou mesmo só igual a mim mesmo – e até digo que gosto de ser igual a mim mesmo e que quero continuar a ser. E não tenho o direito.
Podias fazer melhor? Podias, claro, é sempre possível fazer melhor, também eu podia e tantas vezes não faço, ou por não ter visto, ou por não ter pensado melhor, ou por ter pensado mais em mim que em ti; quando, na verdade, talvez tu não pudesses ter feito tão melhor quanto isso, tu que tentas e até fazes tão melhor que a maioria. E, por mais que eu te culpe, não tens culpa de ser como és e de sentir como sentes e de dizer como dizes e de sofrer como sofres – porque eu até sei que sofres.
E depois, no meio das exigências e das culpas, no meio dos ciúmes e das acusações, por entre palavras mal ditas e outras mal ouvidas, chegámos onde estamos e não sabemos sair de onde estamos – até talvez por nem sabermos exactamente onde estamos. Sabemos apenas que queremos sair daqui, mesmo sem sabermos onde fica o ali para onde queremos ir, sem sabermos se nesse ali nos vamos encontrar, se vamos para lá sozinhos ou acompanhados, até porque não sabemos se esse ali fica aqui ao lado, se do outro lado do mundo, se precisamos de passar nuvens de cinza para lá chegar. E depois, no meio de exigências de perfeição, de culpas atribuídas a quem tem apenas culpa de ser pessoa e de agir como tal, imperfeita e atraente, após acusações e invenções, estamos aqui, a saber que queremos sair daqui e a teimar em não sair daqui, porque ao menos aqui tu estás, ao menos aqui eu estou, mesmo que doa ter o medo diário que tu já não estejas, mesmo que assuste ter o receio eterno que eu já tenha deixado de estar.
Este aqui, este estar sem estar, este dever sem ter, este ter sem dever, este aqui é lugar nenhum, é buraco sem fundo onde se cai e de onde se torna difícil sair; neste aqui não podemos mais estar, não podemos mais ficar, é um aqui no qual temos que evitar cair. Mesmo sem saber para onde, deste aqui, qual cântico negro, deste aqui temos que urgentemente fugir.

16 abril 2010

and in the end?

There's nothing new...