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20 maio 2009

amor aos pedaços

Nome de loja que vende doces, coisas que a dieta proíbe.
Agora conheço o conceito.

30 abril 2009

Sei de que me valeu.

24 março 2009

quase por acaso

Os acidentes de viação, por menores que sejam os danos materiais que provoquem e mesmo na ausência de danos físicos, são sempre causadores de perturbações ao normal fluir do tráfego, tendo inevitáveis consequências para os demais utilizadores da rodovia.
Principalmente para os que não são inocentes.

18 março 2009

coisas bonitas

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Estrela da Tarde
José Carlos Ary dos Santos

03 fevereiro 2009

Há momentos em que é difícil saber. Saber mesmo.

12 janeiro 2009

status quo

Mudam-se os tempos...

Há um qualquer alergia à mudança, própria do ser humano, que nos impede de tentar diferente, de procurar mais, melhor. Mesmo quando uma grande probabilidade de melhor, nem que seja de um tranquilamente melhor, nos entra pela porta.
Não procuramos um novo emprego, ao menos neste sei com o que conto e até recebo o salário no final do mês, ou se procuramos é sempre com alguma timidez, sem uma verdadeira convicção, vamos sistematicamente àquele restaurante, conheço bem o bife e o molho, por que hei-de ir àquele outro, nem nunca lá entrei, usamos aquela marca de detergente para a roupa... ou aquela roupa...
Confesso fazer parte desta maioria de seres pouco corajosos, ou comodistas, que preferem passar ao lado de oportunidades que ter o trabalho e o incómodo de tentar e lutar por algo de melhor, de mais satisfatório, perpetuando a incerteza - ou a certeza do não saber e da insatisfação. Para o bem e para o mal, mas de certeza que felizmente, deixei-me dessas coisas, desses comodismos incómodos, e não vou deixar de querer saber.

Porque devem ser sinais, talvez mesmo sinais do tempo, que mesmo que mudem os tempos algumas vontades nunca mudem.

04 dezembro 2008

the hardest part?

Ele imaginou alcançar-lhe o rosto com a mão, fazendo-lhe uma pequena mas sentida carícia, enquanto esboçava um sorriso de tristeza: era um momento que ele tinha antecipado, ele sabia que, mais cedo que tarde, a Ana teria que passar por aquele processo. "E eu também... essa é que é a merda toda". Um arrepio atravessou-lhe o pescoço: era medo. Um medo enorme de ter acabado de a perder.
Mas o medo não era um exclusivo dele; aliás, ela, no meio de toda aquela energia e por detrás da autonomia aparentes, era uma pessoa imensamente dependente. E tinha pavor à mudança, tudo o que pudesse alterar o status-quo causava-lhe um enorme medo.
Medo que faria com que ela, por não querer assumir um risco, iria correr um outro... talvez muito maior.

Haveria outro modo?
Por mais que ele recusasse, teria que aceitar que aquele era o desfecho lógico, racional; por mais que ele não gostasse, aquela era a conclusão correcta, a decisão que ele mesmo recomendaria à sua melhor amiga - e ele era, acima de tudo, muito amigo dela. Por mais que doesse, era assim que estava certo. Seja lá o que for, isso de estar certo...
Mesmo estando à espera daquele momento, mesmo tendo-o antecipado milhares de vezes, a verdade é que ele não estava devidamente preparado para tomar consciência da realidade, para entender que a verdade (a que não existe...) era mesmo aquela.
Porque aquela não era a verdade; ou, a ser, era apenas a conveniente.
A verdade? Ele conhecia-a - ou melhor, eles conheciam-na: tinham-na visto nos olhos um do outro, numa daquelas tantas poucas vezes, num daqueles imensos curtos momentos em que tinham tido aquele quase tudo. Tinham-na visto, tinham-na ouvido, cheirado, sentido, tocado, verde no castanho, castanho no verde...
Era essa a verdade.

Ela tinha que o deixar ir.
Ele não queria ir, não queria cometer mais um erro, numa vida cheia deles.

"Se ao menos as coisas pudessem ser diferentes..."
Mas não eram.



Mas não são.

01 dezembro 2008

restauração

A Restauração da Independência é a designação dada à revolta contra a tentativa de anulação da independência por parte de uma força invasora.
É comemorada anualmente no dia 1 de Dezembro.

18 novembro 2008

never say never




Lightning strikes twice...

07 novembro 2008

:-)

22 outubro 2008

strange days

Today, more than in any other ordinary day.

Porque mesmo quando os dias são normais, o tempo nunca é o suficiente, escapa-se-nos por entre os dedos.
Porque quando, como hoje, os dias não são normais, o tempo nunca é o suficiente, escapa-se-me por entre os dedos; porque mesmo que esteja sempre que posso, sempre que podes e me deixas, porque mesmo que tenha tudo anotado, aqui mesmo, na ponta da língua, tudo o que tenho para te dizer, tudo o que te quero contar, todas as perguntas que tenho para te fazer, que recapitulo naqueles poucos minutos que demoro a ir ter contigo... o tempo esgotou-se, acabou, e dou por mim a pensar por que não perguntei, por que não falei, por que não disse e não consegui ouvir, a pensar se aquilo em que gastámos o tempo era de facto o mais importante ou se apenas urgente.

Será que um dia os dias serão normais?
Um dia... antes que o tempo se esgote?

17 outubro 2008

um dia...

Almost paradise...

02 outubro 2008

a bridge too far

Operation Market-Garden was an Allied attempt to break through the German lines and seize several bridges, with the main goal of taking the bridge over the Lower Rhine near Arnhem, in the occupied Netherlands during World War II.
Before the operation, British Lieutenant-General Frederick A.M. Browning, deputy commander of the First Allied Airborne Army told Field Marshal Bernard Montgomery: "I think we may be going a bridge too far."

26 setembro 2008

my nature

Uma palavra pode alterar a tomada de decisão sobre um fim de semana no Algarve.
E esta sim, seria das mágicas.

19 setembro 2008

Sei de que me serviu!

16 setembro 2008

urgente ou importante?


Aquele sms tinha um som urgente.
Ele demorou talvez um minuto a acreditar que a Ana vinha mesmo a caminho. Acendeu o cigarro e, ainda hesitante, saiu. Foi fumar para o passeio com os olhos postos no início da rua, à espera de a ver a chegar, conduzindo apressadamente - ela conduzia sempre apressadamente.
Finalmente, ela apareceu no topo da rua. Ele nem queria acreditar...
Desde aquele dia em que pensou tê-la perdido para sempre tinham passado algumas semanas, tempo suficiente para que ele tivesse tido a oportunidade de sublimar aquela sensação de derrota que o acompanhou durante dias. Desde aquele dia, tinham passado semanas também de esperança, ele nunca ira acreditar que alguém pudesse deitar fora toda aquela emoção, aqueles sentimentos, explícitos e implícitos.
- Não acredito que estejas aqui: que foi que te passou pela cabeça?
- Entra!
O carro não tinha andado mais do que 100m e o telefone dela tocava, arrancando-os à força daquele momento de sonho.
- Eu saio, fala à vontade...
...
De volta à realidade...


Mas nunca mais nada voltaria a ser como até então.

11 setembro 2008

9-eleven

"We will rebuild. We're going to come out of this stronger than before (...).
The skyline will be made whole again."




Rudy Giuliani, New York City's Mayor
September 11th, 2001, after the fall of the WTC towers

06 setembro 2008

de passagem

A ferrovia foi durante cerca de um século o meio de transporte mais utilizado e aquele que permitia aos viajantes percorrer grandes distâncias de modo confortável.
Na época, virtude do ainda fraco desenvolvimento tecnológico e à consequente baixa eficiência das máquinas, as viagens eram longas e morosas, sendo amiúde necessário efectuar paragens em locais estratégicos, onde o comboio reabastecia de carvão e água e onde os passageiros podiam, durante um curto período, retemperar forças.
Nas estações onde tais escalas decorriam os passageiros usavam os lavabos, tomavam uma bebida e eventualmente uma pequena refeição; aproveitavam ainda a pausa para esticar as pernas, andando ao longo da plataforma e para comprar uma pequena recordação da zona, ou para enviar um postal para casa.
Estas estações eram aparentemente limitadas em recursos. Frequentemente situadas em locais remotos, sem grande interesse sócio-geográfico, mesmo que detendo por vezes alguns aspectos pictorescos dignos de registo e que poderiam despertar certos apetites aventureiros, por regra não permitiam aos passageiros sequer pernoitar, pelo que raramente (se alguma vez) um viajante ficou famoso por ter decidido encurtar a viagem, tendo passado a residir num tal lugar - nem mesmo aqueles que, inspirados pelas virtudes do local e pelo cansaço da jornada, tenham hesitado e ficado apenas por um instante.
Poder-se-á alegar que a responsabilidade por tais decisões recaía na importância que o destino tinha para os viajantes, ou ainda que o prazer da viagem que cada um tinha empreendido os inibia de sequer ponderar em qualquer aventura dessa natureza; na realidade, era a estação que falhava em promover a qualidade dos serviços prestados, as virtudes do local, a hospitalidade das gentes, da gastronomia e, acima de tudo, a vida despreocupada e livre que se poderia desfrutar no lugar.
Ou, de um modo muito mais simples: aquele sítio era mesmo uma merda.

01 setembro 2008

perfeito?

Absolutamente.

in my own shoes

Maybe not today, maybe not tomorrow, but soon and for the rest of my life.
In the meantime, I'll just keep tiptoeing proudly on my barefeet: it will pay.