17 abril 2008

tranquilidade

Não, não decidi usar risco ao meio, nem sequer depois da mão cheia de ontem.
(não podia mesmo deixar passar esta em claro)

Tranquilidade é o que se sente quando tudo corre bem, da maneira que gostamos.
Não que se tenha feito qualquer esforço nesse sentido, parece que tudo acontece em modo automático, porque não se programa ser nem estar assim - sempre diferente, mas nunca assim.
E, uma vez aqui, não restam grandes palavras, usaram-se todas lá, não resta muito tempo, investiu-se maioritariamente ali. Porque é onde está o retorno, porque é de lá que vem a inspiração para o estado de espírito.



11 abril 2008

ficção

- Aquela tanga toda que aparece no teu blog é realidade ou são textos de ficção?
- É tudo real!

Referia-me, claro está, a tudo o que tem algum conteúdo legível, a palha (ou seja, uma boa parte de tudo o que me passou pela cabeça) não conta.
Sim, aqui não há nada que não seja absolutamente genuíno, tenha sido vivido, pensado, imaginado, desejado ou temido, nada que não faça parte do universo pessoal - do MEU universo pessoal.
É que, apesar do passar dos tempos e mesmo sem ter feito qualquer esforço nesse sentido, tenho mantido a minha presença aqui absolutamente fiel aos princípios que um dia defini para a minha escrita e que divulguei em cabeçalho.

E é esta a verdade. A minha verdade, claro.

09 abril 2008

... and kicking!

Para quem tem estado preocupado, o meu estado de ausência deve-se em exclusivo às questões laborais deixadas para trás como consequência do estado vivido na semana anterior - o tal que teve passagem por um hospital do estado. Sim, tem estado tudo bem.
No news is still good news!

03 abril 2008

over the hill?

Para além dos já habituais "o senhor..." proferidos por elementos de gerações não tão jovens quanto isso, unhas ranhuradas e ameaças de camadas pilosas nos pavilhões auditivos eram os únicos indícios até então recebidos - e mesmo esses eram desmentidos pela persistente coloração na abundante (ainda que curta) cabeleira.
Sim, utilizo o pretérito.
Há uns dias apareceram novos e preocupantes sinais, mudos, surdos e incolores, daqueles que alteram ritmos e se medem recorrendo a ferramentas pneumáticas, cartões amarelos a estilos de vida, que a máquina já não é o que era e a partir de agora isto só vai lá com recurso diário a aditivos.
Diria o Winston que isto pode não ser o fim, nem sequer o princípio do fim: mas é pelo menos o fim do princípio.



Já agora: o tempo de espera na urgência foi de umas 4 horas. Nada mau...

25 março 2008

umbigo

De repente, tem-se vida. Passa-se de um monótono nada para um apressado quase tudo (sorrindo apenas e fazendo quase nada...), perde-se o tempo para ler as notícias e os ecrãs habituais, deixam-se passar novidades e, quando se tenta reler e recuperar a actualidade depois de semanas de clausura egoísta, perderam-se os fios das meadas que costumávamos conhecer.

Para já, tenho a leve impressão de que existe uma escrita que tenho que colocar em dia, questões de demografia que quero esclarecer. E, caso esteja certo, congratular e celebrar.

viagens na minha terra

...ou, para ser mais correcto, viagens à terra dos outros.

Fiz-me à estrada.
Foram quilómetros e mais quilómetros, as primeiras cinco centenas ao Sol. Visitei lugares para mim desconhecidos, que são os lugares de outros; reconheci famílias que eram só uma, quando conheci da primeira vez; encontrei paisagens enormes, que estavam perdidas no meio dos montes e para trás deles; conheci uma paz e um sossego que me faziam falta e que me fizeram bem. Encontrei sorrisos perdidos no tempo, promessas de futuro tranquilo num passado nervoso e inseguro.
Deixando os vales e em direcção à planície, ao encontro de mais passado e ao riso despreocupado que nem a idade nem o tempo desfizeram.
Sem compromisso e com a promessa de mais. Muito mais...

17 março 2008

publicidade enganosa

Baixar as expectativas do "cliente", anunciando o produto com especificações inferiores àquelas que ele efectivamente tem; exagerar deliberadamente os defeitos, de modo a que, uma vez experimentado, este possa superar mesmo as mais pessimistas antevisões; alertar a todo o instante o utilizador para os fracos atributos e para as limitações de performance.
Funciona. Sempre.

14 março 2008

Experience is simply the name we give our mistakes.

Oscar Wilde

12 março 2008

205 anos

Estava ali mesmo... Via-a quase todos os anos e nunca era capaz de a cumprimentar...
Decidi que era naquele dia, não iria deixar passar mais uma oportunidade: afinal, a fase dos 16 já tinha passado há séculos e devia agora ser bem mais corajoso que isso e os tais 50% estatísticos estão sempre garantidos.
- Olá... És tu, não és? - disse, ensaiando a entoação mais desinteressada que consegui...
- :-) Sou!
"Então, que tal, que é feito, tanto tempo, os filhos, os sobrinhos, os irmãos...", ponto de situação quase feito, ponto morto da conversa quase atingido, fugiam-me as palavras, as que quase nunca me faltam, fase de silêncio, não fora o forte ruído de fundo que tinha origem na multidão.
- Dás-me o teu telefone?
(eu, mantendo o tal ar quase desinteressado, contendo um sorriso de alegria...)
- Pode ser... dá-me o teu, eu dou-te um toque e ficas com o meu... - Percebi então para onde me tinham fugido as palavras: tinham-me sido roubadas.

Num passado agora remoto tinha nascido qualquer coisa, nunca concretizada; uma coisa surda, nunca confessada, que podia agora tomar forma: porque o passado é a melhor base para construir futuro.
Obrigado pela coragem.

diz o sábio povo:

Quem espera sempre alcança.

Talvez quem muito esperou alcance ainda mais longe. Quer parecer-me que sim.


06 março 2008

7 x 4 ?

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela.
Mas não servia ao pai, servia a ela,
que a ela só por prémio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia
passava, contentando-se com vê-la.
Porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe deu a Lia

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assim negada a sua pastora
como se a não tivera merecida.

Começa de servir outros sete anos
dizendo: “Mais servira se não fora
para tão longo amor tão curta a vida!”

01 março 2008

traços X + XI




















Obrigado RAM