13 abril 2011

10, 6, 27, 31, 1, 5
E há mais.

31 março 2011

"Next of kin, strangers in blood;
They will sin and surface the mud"

28 março 2011

das malas...

… das que partem e das que chegam. E das que ficam.
Hoje acordei e olhei para a minhas prateleiras vazias e vi que não estão vazias. E sorri, num sorriso muito maior que os sapatos que lá vi, ao lembrar-me que desejei que não estivessem vazias, que acabariam por ser mais minhas não sendo só minhas, sem saber então que para as encher elas haveriam de estar espalhadas por três países em dois continentes.
Ontem foi dia de fazer malas e de as levar, pesadas, escada abaixo, rumo a mais um voo, satisfeito porque sei que ficam as prateleiras, as de cá e as de lá e que as malas vão mas ficam.
E porque no meio de malas e aviões, no meio de países e continentes distantes, entre aeroportos e destinos improváveis, entre despedidas e reencontros, as minhas prateleiras estão muito mais completas que alguma vez estiveram.

19 março 2011

dia do Pai

Não sei se era de oiro, mas seguramente que era bem melhor que a média. Ao que consta (não pela boca dele), por ter sido essa a origem e pelo facto de não ter ninguém com quem compartilhar e concorrer nas preferências, teve o que quis, quando quis.
Não obstante, não foi nada disso que o moldou: muito pelo contrário, tornou-se numa pessoa espartana, pela necessidade de salvaguardar futuro – principalmente o dos outros, comprometendo sempre nesse processo o conforto do presente – principalmente o dele.
Para além disso, tinha uma obsessiva preocupação com o dever: os compromissos tinham que ser cumpridos até ao fim, custasse o que custasse, mesmo aqueles que tivessem origem nos maiores disparates e erros.
Era a natureza dele.

Conheci-lhe um único deslize; mas coerente com o que sempre foi, nem desse erro alguma vez usufruiu, serviu apenas para os outros, mais para uns que para outros, é verdade, mas nunca para ele. E acabou por pagar caro esse erro, pois era frequentemente usado contra ele, com a chantagem que lhe era movida de perto, através da ameaça da denúncia que lhe iria manchar uma reputação de outro modo imaculada.
Por isso e com o passar dos anos, foi suavizando o discurso, foi amolecendo na acção e na exigência – para com os outros, manteve sempre a mesma exigência para com ele mesmo. Mesmo deixando de exteriorizar, nunca deixou de sentir essa preocupação, nunca deixou, lá dentro, de ser quem era.
Na minha ideia, o facto de interiorizar demasiado o que sentia, o ser obrigado pela chantagem a viver contra alguns dos seus princípios acabou por o corroer e descaracterizar, devagar mas definitivamente, e ter-lhe-á em última análise determinado o destino.

A custo, nalguns momentos a muito custo, aprendi com aquele carácter, fez-me parte do que sou, igual, nalgumas coisas, totalmente diverso, em muitas outras. Mas por causa dele sou.

Ficou a escassos 5 dias de completar mais um aniversário, que era hoje.
Fazia anos no dia do Pai. E era meu Pai.



23 fevereiro 2011

hurry back

Devia depender só de mim.
Mas não, vêm sempre de fora os estímulos que melhor fazem funcionar o que está cá dentro, sempre externos os motivos para a alegria interior. Incompetente...
Muito trabalho por fazer, muito caminho para andar. E, por enquanto, melhor acompanhado que só.

bring it back

18 fevereiro 2011

exagero...

Where there is no exaggeration there is no love

and where there is no love there is no understanding.




Oscar Wilde

29 janeiro 2011

...

É mais difícil do que possa parecer, mas muito mais fácil que aquilo que eu o faço.
Live and learn.

13 janeiro 2011

aí

Que sabem, para te poderem falar de mim?
Que sabem de mim, por mais que saibam de ti?

Sim, sei, entendo,
quase que chego a compreender,
é gratuito e é por bem,
mas sabemos que o Inferno está cheio;
e, por esse meio e nesse meio,
perdemos espaço, perdemos tempo.
Ganhamos distância.

Mais distância.

Não nos basta esta? Não nos custa tanta?
Não mata a esperança, não quebra a essência,
mas escusada tal prudência quando,
entretanto,
sou eu, és tu,
é para ti, é para mim...

Que sabem, mais que tu, para te poderem dizer de mim?
Que sabem, para te dizerem mais que eu?
Somos nós.


Estou aqui.

nobre cansaço

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
És importante para ti, porque é a ti que te sentes. És tudo para ti, porque para ti és o universo e o próprio universo e os outros satélites da tua subjectividade objectiva. És importante para ti porque só tu és importante para ti.
Que ninguém faz falta a ninguém: tu não fazes falta a ninguém.
Sem ti correrá tudo… sem ti. Só és lembrado em duas datas, anualmente: quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste. Nada mais, mais nada, absolutamente mais nada, duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram e uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Talvez seja pior para outros existires, talvez peses mais durando, que deixando de durar...




Descaradamente roubado a Fernando Pessoa, acho que na pessoa de Álvaro de Campos, com demasiados italics para os poder assinalar e dizer que são meus...

the last

Is surely not the least.

11 janeiro 2011

sozinho em casa

Casa... não é bem casa, pelo menos ainda não, já que nem nisso acerto - parece que a culpa é minha, das minhas escolhas.
Está demasiada humidade para sair, está demasiado calor para trabalhar, do outro lado estão demasiado ocupados para conversar. As notícias não são novas, os filmes repetem-se, a campanha é a mesma de há 5 anos, não me serve para fazer qualquer escolha; mas acaba por ser a escolha que faço, que o que preciso mesmo é de desligar o cérebro, demasiado cansado para pensar.
Estou demasiado longe para poder ir e vir, matar as saudades que crescem com o passar das horas; estou demasiado preso para me poder fugir, para poder esquecer e começar onde mais quero - seria a minha escolha. Estou demasiado sozinho para poder sorrir.