31 maio 2007

depois da tempestade...

... a bonança.

E não é que eu não a aguento?

fumo branco

Ainda não é oficial, mas já consigo ver os fósforos a sair da caixa, o balanço para o movimento de os riscar está lá, daqui até que se acenda é uma distância ínfima.
Invejoso, mas definitivamente satisfeito. E ainda um pouco orgulhoso.
Parabéns!

29 maio 2007

you say potato...

Dizem sobre ingleses e americanos que são dois povos separados por uma língua comum. Esta afirmação, vista através de uma lupa que nem necessita ser assim tão potente, tem muito que se lhe diga – novamente em estrangeiro, there’s more to it than meets the eye.

Recentemente, tomei conhecimento de um caso em que duas pessoas, falando uma mesma língua, não se entendem. De facto, percebem as palavras um do outro, conseguem perceber as frases, mas não fazem ideia sobre o conteúdo mais profundo, as razões por detrás das palavras do outro: aquilo que ouvem simplesmente não faz sentido, é até incoerente, ouvido daquele modo.

Para tentar entender melhor o discurso, pediram ajuda a um tradutor-intérprete, amador, que tratou de traduzir o que cada um dizia, utilizando a linguagem que, na perspectiva dele, do técnico, fosse mais perceptível para o outro. O intérprete desempenhou o seu papel do melhor modo que sabia, agindo ora como tradutor, traduzindo de modo literal algumas das expressões utilizadas, ora como intérprete, indo ao ponto de tirar ilações do discurso, confirmando essas conclusões junto do emissor, de modo a garantir a exactidão do resultado do trabalho.
Finda a tarefa, o tal amador retirou-se. Partiu, no entanto, com a convicção de que o trabalho efectuado (caracteristicamente pro bono, embora seja absolutamente irrelevante para o caso), pouca ou nenhuma utilidade tinha tido.
Ter-se-ia tratado de uma conversa de surdos? Talvez.

Subsistiu nele, por isso, uma ligeira sensação de frustração, que o fez meditar de modo mais prolongado sobre os discursos ouvidos, as eventuais razões por detrás deles, julgou tons de voz, expressões faciais, tudo o que tinha ao alcance para tentar encontrar a interpretação certa para toda a informação a que tinha tido acesso.
Muito mais do que uma conversa de surdos, parecia agora claro que tinha sido uma conversa de mudos, em que ambos sabiam que aquela conversa tinha que acontecer, mas nenhum dos dois tinha certezas sobre o que tinha para dizer.
Ou, a tê-las, teve medo de dizer alto (talvez até para si mesmo) o que, na verdade, pensava e sentia.

… I say potato…

27 maio 2007

intenso

...

Há outra forma?

gps

Mais importante que o destino, é o caminho que se percorre para lá chegar, o prazer da viagem.




Devo ter ouvido isto em qualquer lado: não sei a quem dar o crédito, mas não o reclamo.

maré alta no atlântico


Com uma pronúncia quase imperceptível, integrando tonalidades musicais totalmente improváveis e num Atlântico a transbordar de gente, tivemos som de altíssima qualidade.
A repetir.

25 maio 2007

território solitário


- E agora? Estamos aqui há séculos, andamos para trás e para a frente, não saímos do mesmo sítio.
- É verdade. Isto estagnou.
- Estagnou?
- Desculpa, expressão desajustada: bloqueámos parece mais correcto. Não conseguimos sair daqui: desta vez, por mais que eu queira, por mais que fales comigo e me vás dando as pistas que costumo usar para te orientar, não posso, não consigo encontrar o caminho. Acho que me perdi…
-Tu nunca te perdes: tu és tão sereno, como podes ter-te perdido?
- Não te consigo mentir, pois não?
- :-) não, não consegues.
- Eu talvez saiba o caminho – ou antes, eu sei dois caminhos. E nem preciso de tos apontar, sabes tão bem quanto eu que caminhos são esses.
- Sei…
- Pois sabes. Até sabes qual deles mais te atrai.
- Sei…
- Sabes por que é que é esse que mais te atrai?
- …
- Sabes?
- Vais dizer-me?
- Porque só vês a primeira parte do caminho, não sabes o que está para além. No outro, o que menos te atrai, conheces esta primeira parte e conheces o que está para além – conheces a estrada quase toda, as curvas, as subidas e descidas, até conheces de cor os buracos, já sabes desviar-te deles com mestria.
- Tens razão.
- Não me serve de nada, pois não? Nem a ti…
- O quê?
- Ter razão: estou para aqui a falar, já não adianta nada falar, ficas na mesma.
- Não, fala, gosto de te ouvir.
- Mas eu vou calar-me. Acho que este é o momento em que tens que andar por ti, sem ajuda. Caso eu me ponha para aqui a falar mais, acabo por ser eu a decidir por ti e isso não faz sentido algum, não tens que percorrer o caminho que eu julgo ser o melhor para ti, mas o que tu escolheres para ti. Porque é teu, não é meu.

- E sim, agora calo-me.

special treat

Em estágio para esta noite.





depois de ouvir melhor, este bem que podia ser:

Story - part 8.1

And as you go I will spread my wings

24 maio 2007

estatísticas

(número qualquer coisa, perdi a conta)

Cedo esta manhã tive que ficar à porta de casa, cabeça exposta à chuva, olhos postos na rua na esperança de ver chegar um veículo com a dimensão adequada ao transporte de electrodomésticos e com um qualquer logo que eu reconhecesse da loja onde coloquei a encomenda.
Tardando a chegada de tal transporte e como moro a escassos metros do liceu da minha terra, nos momentos em que desviei o olhar do alcatrão fui observando a horda de jovens que se dirigiam para as aulas. Hábito antigo, fui fazendo uma estatística mental não contabilística tipo thumbs up, agrupando as pessoas.
Concluí que:
1. na minha zona de residência, verifica-se uma quase total ausência de africanos;
2. nunca reparei na existência de uma população indiana significativa, mas que têm muitos filhos, isso têm;
3. ao contrário dos chineses, que só na minha rua têm 3 lojas mas adolescentes não há (ou então há e não os mandam à escola, continuando a preferir o ábaco);
4. as adolescentes desta geração têm muito mais buracos que as da minha;
5. os adolescentes também, embora menos;
6. se é verdade que a minha geração era (e continua a ser) constituída por elementos do mais feio que a Europa produz, então com esta geração é que o futuro estético do País está seriamente ameaçado;
7. as empresas de transporte não cumprem horários;
8. estar muito tempo à chuva molha muito;
9. e, finalmente, que se podem deixar as portas do prédio e do apartamento abertas e ir trabalhar, em vez de ficar à espera indefinidamente por fornecedores: eles que cheguem, descarreguem, o último a sair que feche a porta.

23 maio 2007

story - part 8

Not so long ago, it was the better way.



tell me




...'cause i really wanna know





Esta tem sido ouvida com frequência por quem gosta (como eu) de estar perto dos crime scene investigators.
É verdade (e desta vez a verdade existe for language's sake): aquele senhor que aparece a cantar de óculos, o Roger Daltrey, tem um filho da minha idade.

descomplicando

Concedo: a realidade existe, em diferentes perspectivas, de diferentes pontos de vista. É tangível, palpável.
A verdade?
Na verdade, a verdade não existe, não se pode agarrar nem ver. Para o demonstrar? Os comentários anteriores bastam: se a verdade existisse não haveria tanto desacordo nem tantas versões relativamente a uma coisa que todos querem afirmar absoluta.