05 maio 2010
04 maio 2010
skimming
Era uma obrigação que tinha para cumprir e, afinal, também me compete contribuir para o apaziguamento e tentar a reaproximação.
E liguei. E atendeu-me um gravador, ao qual confiei aliviado a minha mensagem.
Passaram talvez duas horas e a chamada foi devolvida, o cordial agradecimento pela intenção, a intenção cordial de prosseguir com a reaproximação, a sugestão de um novo encontro a matar as… saudades que o tempo cravou nas respectivas almas. Supostamente.
E pronto, obrigação cumprida, sugestão aceite, tinha sido um bom passo no sentido da tal reaproximação que também a mim competia – nem sei bem porquê, afinal não fui eu quem promoveu inicialmente o afastamento, limitei-me a reagir pacifica e quase passivamente. Mas o caminho estava traçado e agora poderíamos avançar, com cuidado, é certo, mas estava aberto o caminho. Supostamente.
Durou menos de 24 horas.
Demorei menos que um dia a descobrir que, nas minhas costas, tudo tinha continuado na mesma, no mesmo tom de desrespeito, na mesma senda de desafio; demorei apenas horas a saber que o desafio e a tentativa de usurpação continuam, com os aliados de ocasião e de conveniência que se lhe juntaram. Supostamente.
Sem surpresas: eu já tinha podido ver as costas de outros.
Afinal, a surpresa tinha sido mesmo domingueira, com as sugestões e as demonstrações de intenção a servirem de cortina de fumo, respostas que seguramente se procuram para poderem ser acumuladas para memória futura, em jeito de construção de capital de queixa. Afinal, normal era mesmo o que nem sequer volvidas vinte horas viria a descobrir – ou melhor, a poder confirmar: o estilo dissimulado, a necessidade de demonstração de poder, vinda de quem nem sequer a capacidade moral detém, quanto mais a formal.
E agora? Agora, nada de novo - ou antes, talvez algo de novo, já que procuram conquistar Roma: fingir fazer como os romanos.
E ficar com certeza que só se estragou uma família.
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Índice intimo
29 abril 2010
23 abril 2010
o átomo a mais que se animou
Sei que te tenho culpado por coisas que são humanas, por actos banais, por gestos e palavras que tens e tens muito bem. E sei que tenho olhado pouco para mim, que sou também humano nos mesmos actos e nos meus erros, que digo palavras e faço gestos, se não iguais, pelo menos parecidos com os teus, mesmo que diferentes dos teus.
Sei que te tenho exigido coisas que talvez nem sejam exigíveis, afinal somos humanos e humano é errar e ficar aquém da perfeição; e que tenho tido a presunção, a errada presunção, de que erro menos e que estou mais perto dessa perfeição, digo-te que te quero mais igual a mim nessa pretensa perfeição. Sim, eu, que me farto de te dizer que não queiras que eu seja mais igual a ti, porque eu sou mesmo só igual a mim mesmo – e até digo que gosto de ser igual a mim mesmo e que quero continuar a ser. E não tenho o direito.
Podias fazer melhor? Podias, claro, é sempre possível fazer melhor, também eu podia e tantas vezes não faço, ou por não ter visto, ou por não ter pensado melhor, ou por ter pensado mais em mim que em ti; quando, na verdade, talvez tu não pudesses ter feito tão melhor quanto isso, tu que tentas e até fazes tão melhor que a maioria. E, por mais que eu te culpe, não tens culpa de ser como és e de sentir como sentes e de dizer como dizes e de sofrer como sofres – porque eu até sei que sofres.
E depois, no meio das exigências e das culpas, no meio dos ciúmes e das acusações, por entre palavras mal ditas e outras mal ouvidas, chegámos onde estamos e não sabemos sair de onde estamos – até talvez por nem sabermos exactamente onde estamos. Sabemos apenas que queremos sair daqui, mesmo sem sabermos onde fica o ali para onde queremos ir, sem sabermos se nesse ali nos vamos encontrar, se vamos para lá sozinhos ou acompanhados, até porque não sabemos se esse ali fica aqui ao lado, se do outro lado do mundo, se precisamos de passar nuvens de cinza para lá chegar. E depois, no meio de exigências de perfeição, de culpas atribuídas a quem tem apenas culpa de ser pessoa e de agir como tal, imperfeita e atraente, após acusações e invenções, estamos aqui, a saber que queremos sair daqui e a teimar em não sair daqui, porque ao menos aqui tu estás, ao menos aqui eu estou, mesmo que doa ter o medo diário que tu já não estejas, mesmo que assuste ter o receio eterno que eu já tenha deixado de estar.
Este aqui, este estar sem estar, este dever sem ter, este ter sem dever, este aqui é lugar nenhum, é buraco sem fundo onde se cai e de onde se torna difícil sair; neste aqui não podemos mais estar, não podemos mais ficar, é um aqui no qual temos que evitar cair. Mesmo sem saber para onde, deste aqui, qual cântico negro, deste aqui temos que urgentemente fugir.
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Índice dedicatória, intimo, literatura da treta
16 abril 2010
and in the end?
There's nothing new...
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Índice intimo
25 março 2010
viver no campo
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Índice instantâneos
24 março 2010
twice shy
Habituado a que se confunda permissividade com indiferença, tolerância com submissão, respeito com deferência, memória com saudade e até indulgência com neglicência, todos eles quase sinónimos com suaves mas importantes nuances entre si, não me espantaria que, desta vez e uma vez mais, tais conceitos fossem misturados.
E não, nem assim ficaria perto de me zangar com quem faz tais confusões. Preferiria apenas que fosse de outro modo: tudo seria mais simples.
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Índice intimo
22 março 2010
surdos
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Índice dedicatória
17 março 2010
domingo
Mais habituado à utilização de auto-estradas e vias rápidas, para além das agora não tão longas filas suburbanas, impacientei-me com aquele Opel Astra de 2001, irrepreensivelmente limpo e com 17 mil quilómetros reais desde que comprado novo – e a pronto pagamento. Pilotado pelo Sr. Antunes, que se fazia acompanhar pela esposa, a D. Odete, ele de fato e gravata e ela exibindo um impressionante arsenal de jóias, que ainda que de questionável gosto, de indubitável autenticidade, mantinha uma estonteante velocidade de 72 km/h, prudentemente reduzida aos 54 km/h sempre que a menos de seiscentos metros de uma daquelas apertadíssimas curvas – acredito agora naquelas conversas que oiço a espaços em que “o meu Astra faz menos de 6 litros aos 100” e em que “faço todas as revisões na marca” – claro, as duas até agora necessárias.
Sem que tenham sido assim tantos os quilómetros percorridos nestas condições, a verdade é que ultrapassei esta mesma viatura um sem número de vezes, sendo que era umas vezes ocupada pelo Sr. Fernandes e pela D. Graciete, outras pelo Sr. Sequeira e pela D. Arlete – sim, devo ter algum fetiche com todos os nomes acabados em “…ete”, possivelmente uma mulher com esse nome ter-me-á traumatizado algures na minha longínqua infância.
Na realidade, a existência de qualquer um destes condutores não constitui qualquer novidade para mim, seguramente que já me cruzei no passado com eles nalguma estrada deste país. No entanto, falhei em constatar que estes Srs. estão a envelhecer e que os filhos deles cresceram: estão a chegar perto dos 30 e já se casaram. E eu encontrei-os: passeavam no paredão abaixo da esplanada onde almocei, felizes com o novo pincher, mais pequeno que o enrolador da trela. A Tânia, que não cabia em si de contente (nem nas calças de fato de treino, para ser honesto), o Telmo, que mesmo tendo uma pochete preferia segurar o i-phone na mão, juntamente com a chave do carro (não, não vi a marca do carro, mas adivinho um Ibiza).
De regresso a casa e mais uma dúzia de ultrapassagens a outros tantos Srs. Antunes, valeu o almoço, a companhia e um Sporting renascido, qual fénix tardia e inútil.
E eu queixo-me? Devia estar era calado. Get a life!
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Índice crítica da treta
19 fevereiro 2010
it´s amazing how much you can see in the dark
Por mais que eu aconselhe que não deixem que as de um qualquer asinino lhes chegue, dei por mim a trocar algum do meu escasso e precioso tempo de descanso pela análise de um conjunto de frases ouvidas de bocas terceiras – ou quartas. Mesmo retirando-lhes os pontos que lhes foram acrescentados, reconheço que o intuito do autor das palavras foi cumprido, pois chegaram efectiva e finalmente ao destino e tiveram pelo menos algum do efeito desejado. Digo algum, pois não tão velho quanto isso mas ainda assim muar por escolha, já não são só duas as cantigas que me embalam: antes pelo contrário, despertam-me para uma inútil meditação, que resulta numa quase útil tomada de consciência de determinados porquês – sobre o que serve, sobre quem se serve e sobre quem quer servir.
A verdade? Sei que não existe e sei que nunca a saberei, por mais que ma contem. Por tudo isto, sem qualquer desprezo, ou menosprezo sequer, prefiro seguir o meu próprio conselho e manter-me no escuro – até porque essa tonalidade é sempre bem mais honesta que as promessas cor-de-rosa vindas lá de fora.
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Índice espelho meu
31 dezembro 2009
does it get any worse?
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Índice espelho meu
28 novembro 2009
when the shit hits the fan
... ou será que são luzes que começam a acender lá ao fundo?
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Índice espelho meu
